quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Minha canção
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Essa história
O ano termina como um livro que se encerra antes que a história tenha um desfecho. Talvez essa história não tenha ainda chegado ao fim. Talvez ela espere pelas próximas páginas em branco a serem escritas. Ou talvez essa seja só mais uma história de insucesso, sem leitores.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Ter ou não ter você
Eu sigo por aqui, baby. Instável, completamente instável. Sinto como se estivesse em uma roda gigante. Às vezes para cima, outras, para baixo.
Hesito todos os dias entre desistir de você ou te amar loucamente. Entre me entregar a esse amor ou repeli-lo fortemente. Entre me lançar aos seus braços e abraços ou fugir de você insistentemente.
Ontem à noite, chorei enquanto a água quente do chuveiro caía sobre os meus ombros. Me lembrei da pergunta incisiva feita durante a terapia: por que você insiste em amores complexos? Amores tóxicos, amores à distância, amores indisponíveis?
Chorei. Chorei porque não tenho a resposta. Chorei porque algo aqui dentro ainda doi. Chorei porque é impossível buscar uma resposta sem desabar.
Enquanto tento encontrar um sinal, uma luz, uma pista, várias imagens flutuam na minha memória pedindo lugar. O que elas têm em comum? Medo. Medo do futuro. Medo do que possa vir. Medo do depois. Medo de sofrer. Medo de não suportar a dor. Medo de doer. Medo de não me refazer. Medo de me perder.
Essas imagens me chegam incompletas. Apenas flashs. Flashs em que sou eu a personagem principal. E em um deles vejo espelhada a cena que vivo agora. Vejo lágrimas escorrendo por um rosto cansado. Vejo olhos fundos. Vejo um nariz vermelho, não como os dos palhaços de circo, mas daqueles dos filmes de drama. Narizes vermelhos de tanto chorar.
Eu sigo, baby. Sozinha. Sem você. Resiliente. Persistente. Reticente. Sigo segura dos contornos magicamente, magistralmente e delicadamente impostos pelo destino. Sigo certa de que não é necessário muito tempo para que exista amor. De que não são necessários grandes feitos para se gostar pura e profundamente de alguém. Quem me ensinou tudo isso? Você!
domingo, 28 de dezembro de 2025
Minha marca em você
Te deixarei cartas de amor aonde for. Você receberá palavras gentis por todos os lugares por onde passar. Verá sorrisos calorosos em todos os rostos para os quais olhar.
Que cada brisa da manhã te leve um beijo meu. Que cada anoitecer, te acaricie como cada um dos abraços que não demos. Que toda vez que olhe para o céu, me veja no formato das nuvens, no brilho das estrelas, na beleza da lua ou na alegria do arco-íris que aparece faceiro após a tempestade.
Sabe aqueles dias chuvosos? Eu também estarei ali, na gota que escorre pela janela do seu quarto. Nos dias frios, serei seu cobertor quentinho e dormiremos abraçados. Nos dias quentes, serei a água fria que toca seu corpo e te refresca. Nos dias de cansaço, serei seu travesseiro, repousará sua cabeça em mim. Eu cuidarei do seu sono e de cada um dos seus pensamentos.
Estarei grudada nas suas digitais, na sua retina, nos seus poros, células, nos seus lábios, na sua pele, na sua memória. Mesmo que a gente nunca mais se veja, se toque, se beije, se sinta, seguiremos conectados porque desde o dia em que nossas almas se tocaram algo em nós se entrelaçou e, por isso, não estamos mais fora, mas dentro um do outro.
sábado, 27 de dezembro de 2025
De volta para mim
Hoje tirei um tempo para mim. Para voltar para mim. Para me reconhecer em mim. Para ficar comigo. Sem interferências.
Se deu certo? Não sei, mas me sinto melhor. Essa foi uma das formas que encontrei de recarregar as energias num mundo que só nos cobra e nos nega. Nos cobra produção, excelência, nossa melhor versão. Nos nega descanso, ócio, amor.
Às vezes escolho dizer « não » a tudo que está fora, como uma forma de afirmar que quem manda aqui sou eu. Às vezes escolho ser só isso. Alguém vivendo uma vida medíocre. E isso me basta e me faz feliz. Às vezes quero ser só uma filha presente, uma irmã parceira ou uma tia maneira. E isso é o suficiente.
Quero não ter que responder mensagens no celular, quero falar palavrões se sentir vontade, beber, dançar até o chão, conversar com minhas cachorras com voz de criança, dar gargalhadas altas. E depois dormir.
Quero não ser legal, ser chata às vezes, bem chata. Quero estar indisponível, inacessível, parecer insuportável. E não ter que dar justificativas. Quero não precisar abrir a porta quando alguém tocar a campainha, dormir sem despertador, usar uma camisa larga e velha sem nada por baixo e não ser julgada.
Às vezes meu único desejo é esse: só existir. O que vão pensar a respeito pouco me importa. Se comentam, se criticam, se me apontam, não é problema meu. Se funciona? Ainda não sei, mas de uma coisa tenho certeza. Ao fim do dia sinto que voltei para mim e quando adormeço é como se toda paz que eu buscasse tivesse o tempo todo aqui dentro me esperando silenciar para ouvi-la. Fecho os olhos e durmo.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Talvez não seja amor
Talvez eu não saiba o que é amor. Talvez eu não saiba como amar de verdade ou como amar você. Talvez meu amor não seja inteiro ou tudo o que sinto não seja amor.
Talvez não seja justo te querer como te quero, sentir o que sinto ou te desejar como desejo. Talvez meu jeito de amar seja egoísta, pequeno ou mesquinho demais para você.
Talvez eu não mereça ou não esteja preparada para receber seu amor inteiro, livre, indefinido, sem rótulos, sem regras, sem amarras.
Talvez eu mereça um amor como desses que consigo dar. Com doação, com entrega, com verdade, mas também com exclusividade. Me desculpe, foi assim que aprendi a amar. Foi assim que me ensinaram a amar.
Talvez eu precise de um tempo. Talvez eu precise me amar mais. Talvez eu precise não amar mais. Talvez eu não queira amor. Talvez eu não mereça amor. Talvez eu só mereça amor. Talvez eu precise agora afastar a dor. Talvez eu siga te amando, seja como for.
Talvez eu precise te deixar partir. Porque eu ainda acho que te amo, eu precise te deixar ir, ser livre e enorme para quem é livre e enorme como você. Talvez amor seja isso: amar e deixar amar, ir e deixar ir, doer e deixar que doa, abraçar e afastar-se de abraçar. Viver e deixar que vivam. Morrer e deixar que morram em nós.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Somos amor
Respiro fundo, me benzo e vou.
Sinto medo, é tudo tão desconhecido.
Ele me pede para confiar, deixar fluir, soltar.
Minhas mãos suam, o coração acelera, as pernas tremem,
mas escolho seguir.
Seu olhar me faz acreditar que vale a pena tentar.
Dentro de mim uma confusão boa,
um caos desordenadamente controlado,
um desejo de ficar.
Sua presença me traz calmaria,
sua fala mansa e macia me traz segurança.
Ali, sei que posso confiar,
é lugar de cuidado, proteção.
Seu colo é lar, é onde desejo morar.
Seu sorriso torto e sua risada sincera
me fazem esquecer todas as dores e feridas.
Sua boca me grita.
Seus olhos me assistem com impávida admiração.
Suas mãos me tocam indecisas.
Ele e eu somos como a brisa da manhã,
mas também o sol ardente em dias quentes de verão, chuva, sol, arco-íris.
Somos cheiro de terra e vegetação verdinha em dias de chuva.
Somos o abraço demorado em cada encontro,
o peito que afaga,
a palavra que acolhe,
o silêncio da madrugada,
o despertar pela manhã,
mas também a bateria da escola de samba,
o toque pesado do pandeiro,
a quinta sinfonia de Beethoven,
o som que sai do berimbau, a melodia, a harmonia, a canção.
Ele e eu somos vida, cura e amor.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Me desculpe
Me desculpe tanto amor
Não soube fazer diferente
Me desculpe se meu corpo
reage a você novamente
Minhas mãos te buscam
e não te alcançam
meu olhar te procura
e não te encontra
E dói
Dói não ter você
Dói te perder
Dói viver
Me desculpe te querer tanto
Me desculpe o pranto
Aprendi assim
Eu por você, você por mim
Eu insisto, me perdoe te amar
se minhas palavras quebraram seu silêncio
se te fizeram acordar.
Me desculpe se meu amor
percebeu sua dor
Me perdoe não insistir para ficar
pois quando você partiu
mesmo ficando, eu também parti
de você, de nós, de mim.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Você vem
Hoje, cansada, dispersa, sem foco, meu corpo pede colo, calmaria, silêncio, descanso. Sinto minha mente vagar entre o passado, o presente e o futuro. Entre o aqui, agora. E o lá, distante. Respiro fundo, fecho os olhos e novamente me vem você. Tento te repelir, busco defeitos, inconstâncias, mentiras, mas não os encontro. Sinto raiva de mim. Te busco no horizonte, na paisagem nublada, na chuva que cai mansinha lá fora e vejo seu sorriso insistente a me procurar. Me percebo confusa, perdida de mim, de nós, mas não de você.
Pela manhã, ouvindo sua música, as lágrimas me vieram rasas, diferentemente da chuva que descia grossa e imponente. Pela janela, o sol crescia obstinado no céu cinzento assim como você na minha vida. Me deixei ali, parada por um instante, admirando a paisagem. Queria poder ficar, mas o café que fervia me fez acordar e vestir logo aquela calça preta de sempre, o tênis de corrida para o fim do dia e uma blusa qualquer. Para o rosto pálido e desanimado, aquele batom rosa, vivo, que me faz parecer alegre nos dias mais tristes.
A chuva seguia persistente, lá fora e aqui dentro. Foi preciso coragem para sair, coragem para me deixar molhar, coragem para seguir. A rotina segue chata e previsível, como todos os outros dias, com exceção de você que passou a fazer parte dela. Internamente, recito o mantra “vai ficar tudo bem”. Respiro fundo mais uma vez. Tento me concentrar. Olho para a tela do computador. Vejo e-mails. Anoto uma suposta lista de afazeres do dia. Não consigo terminar nada que começo. Me disperso mais uma vez. Novamente, respiro fundo. Fecho os olhos. E de novo, me vem você.










