Hoje tirei um tempo para mim. Para voltar para mim. Para me reconhecer em mim. Para ficar comigo. Sem interferências.
Se deu certo? Não sei, mas me sinto melhor. Essa foi uma das formas que encontrei de recarregar as energias num mundo que só nos cobra e nos nega. Nos cobra produção, excelência, nossa melhor versão. Nos nega descanso, ócio, amor.
Às vezes escolho dizer « não » a tudo que está fora, como uma forma de afirmar que quem manda aqui sou eu. Às vezes escolho ser só isso. Alguém vivendo uma vida medíocre. E isso me basta e me faz feliz. Às vezes quero ser só uma filha presente, uma irmã parceira ou uma tia maneira. E isso é o suficiente.
Quero não ter que responder mensagens no celular, quero falar palavrões se sentir vontade, beber, dançar até o chão, conversar com minhas cachorras com voz de criança, dar gargalhadas altas. E depois dormir.
Quero não ser legal, ser chata às vezes, bem chata. Quero estar indisponível, inacessível, parecer insuportável. E não ter que dar justificativas. Quero não precisar abrir a porta quando alguém tocar a campainha, dormir sem despertador, usar uma camisa larga e velha sem nada por baixo e não ser julgada.
Às vezes meu único desejo é esse: só existir. O que vão pensar a respeito pouco me importa. Se comentam, se criticam, se me apontam, não é problema meu. Se funciona? Ainda não sei, mas de uma coisa tenho certeza. Ao fim do dia sinto que voltei para mim e quando adormeço é como se toda paz que eu buscasse tivesse o tempo todo aqui dentro me esperando silenciar para ouvi-la. Fecho os olhos e durmo.



Nenhum comentário:
Postar um comentário