Ele não sabe, mas eu ouço a sua música todos os dias quando acordo. Escuto-a como se rezasse uma oração. Gosto da versão em que para ela, ele empresta a sua voz. Em cada contorno, seu tom, sua intensidade e seu timbre a deixam ainda mais sua, mas também minha.
Na verdade, todas as manhãs, quando acordo, assisto ao vídeo em que ele canta essa canção, ao vivo. Nesse vídeo, ele aparece hora em preto e branco, hora em cores. Sua performance é bela e leve como a canção. Ele e ela se misturam em cores, sons e sinestesia, tornando-a tão única.
Algo em mim também se mistura. Desejo e admiração se transformam em uma mesma sensação. Sinto orgulho de tê-lo por perto. Assim como a canção, eu o vejo tão belo. Ele não acredita em sua beleza, mas não sabe que a verdadeira beleza reside mesmo é na alma.
Se pudesse, eu moraria ali, naquela canção, naquele vídeo, nele cantando-a. Talvez eu more ali, todas as manhãs, quando acordo e me deixo ali, absorta, entregue à canção, ao vídeo, a ele.



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