terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Somos amor


Respiro fundo, me benzo e vou. 

Sinto medo, é tudo tão desconhecido.

Ele me pede para confiar, deixar fluir, soltar.

Minhas mãos suam, o coração acelera, as pernas tremem, 

mas escolho seguir.


Seu olhar me faz acreditar que vale a pena tentar. 

Dentro de mim uma confusão boa, 

um caos desordenadamente controlado, 

um desejo de ficar. 


Sua presença me traz calmaria, 

sua fala mansa e macia me traz segurança. 

Ali, sei que posso confiar, 

é lugar de cuidado, proteção. 

Seu colo é lar, é onde desejo morar.


Seu sorriso torto e sua risada sincera 

me fazem esquecer todas as dores e feridas. 

Sua boca me grita. 

Seus olhos me assistem com impávida admiração. 

Suas mãos me tocam indecisas.


Ele e eu somos como a brisa da manhã, 

mas também o sol ardente em dias quentes de verão, chuva, sol, arco-íris. 

Somos cheiro de terra e vegetação verdinha em dias de chuva. 

Somos o abraço demorado em cada encontro, 

o peito que afaga, 

a palavra que acolhe, 

o silêncio da madrugada, 

o despertar pela manhã, 

mas também a bateria da escola de samba, 

o toque pesado do pandeiro, 

a quinta sinfonia de Beethoven, 

o som que sai do berimbau, a melodia, a harmonia, a canção. 

Ele e eu somos vida, cura e amor.





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