segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Ter ou não ter você


Eu sigo por aqui, baby. Instável, completamente instável. Sinto como se estivesse em uma roda gigante. Às vezes para cima, outras, para baixo. 


Hesito todos os dias entre desistir de você ou te amar loucamente. Entre me entregar a esse amor ou repeli-lo fortemente. Entre me lançar aos seus braços e abraços ou fugir de você insistentemente.


Ontem à noite, chorei enquanto a água quente do chuveiro caía sobre os meus ombros. Me lembrei da pergunta incisiva feita durante a terapia: por que você insiste em amores complexos? Amores tóxicos, amores à distância, amores indisponíveis? 


Chorei. Chorei porque não tenho a resposta. Chorei porque algo aqui dentro ainda doi. Chorei porque é impossível buscar uma resposta sem desabar.


Enquanto tento encontrar um sinal, uma luz, uma pista, várias imagens flutuam na minha memória pedindo lugar. O que elas têm em comum? Medo. Medo do futuro. Medo do que possa vir. Medo do depois. Medo de sofrer. Medo de não suportar a dor. Medo de doer. Medo de não me refazer. Medo de me perder.


Essas imagens me chegam incompletas. Apenas flashs. Flashs em que sou eu a personagem principal. E em um deles vejo espelhada a cena que vivo agora. Vejo lágrimas escorrendo por um rosto cansado. Vejo olhos fundos. Vejo um nariz vermelho, não como os dos palhaços de circo, mas daqueles dos filmes de drama. Narizes vermelhos de tanto chorar.


Eu sigo, baby. Sozinha. Sem você. Resiliente. Persistente. Reticente. Sigo segura dos contornos magicamente, magistralmente e delicadamente impostos pelo destino. Sigo certa de que não é necessário muito tempo para que exista amor. De que não são necessários grandes feitos para se gostar pura e profundamente de alguém. Quem me ensinou tudo isso? Você!





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