Hoje, cansada, dispersa, sem foco, meu corpo pede colo, calmaria, silêncio, descanso. Sinto minha mente vagar entre o passado, o presente e o futuro. Entre o aqui, agora. E o lá, distante. Respiro fundo, fecho os olhos e novamente me vem você. Tento te repelir, busco defeitos, inconstâncias, mentiras, mas não os encontro. Sinto raiva de mim. Te busco no horizonte, na paisagem nublada, na chuva que cai mansinha lá fora e vejo seu sorriso insistente a me procurar. Me percebo confusa, perdida de mim, de nós, mas não de você.
Pela manhã, ouvindo sua música, as lágrimas me vieram rasas, diferentemente da chuva que descia grossa e imponente. Pela janela, o sol crescia obstinado no céu cinzento assim como você na minha vida. Me deixei ali, parada por um instante, admirando a paisagem. Queria poder ficar, mas o café que fervia me fez acordar e vestir logo aquela calça preta de sempre, o tênis de corrida para o fim do dia e uma blusa qualquer. Para o rosto pálido e desanimado, aquele batom rosa, vivo, que me faz parecer alegre nos dias mais tristes.
A chuva seguia persistente, lá fora e aqui dentro. Foi preciso coragem para sair, coragem para me deixar molhar, coragem para seguir. A rotina segue chata e previsível, como todos os outros dias, com exceção de você que passou a fazer parte dela. Internamente, recito o mantra “vai ficar tudo bem”. Respiro fundo mais uma vez. Tento me concentrar. Olho para a tela do computador. Vejo e-mails. Anoto uma suposta lista de afazeres do dia. Não consigo terminar nada que começo. Me disperso mais uma vez. Novamente, respiro fundo. Fecho os olhos. E de novo, me vem você.



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