sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Superpoderes


Se eu tivesse superpoderes, te traria para mim, para mais perto, para dentro. Eu pararia o relógio toda vez que estivéssemos juntos. Eu passaria infinitas horas te ouvindo, te olhando, te admirando. Não haveriam despedidas, até logo, tchaus, adeus. Passaríamos os dias e as noites em uma serenata eterna, só eu e você.


Se eu pudesse fazer um único pedido para o mágico da lâmpada, eu pediria você, seus olhos atentos, seu toque suave, seus lábios macios, suas mãos que acalentam, seu corpo que esquenta, que abrasa e me abraça. Com você, não haveria frio, inverno ou qualquer queda de temperatura. Nossos corpos seriam nossos cobertores. 


Se eu pudesse transformar sonhos em realidade, faríamos um tour pelo mundo. Só você e eu. A lua nos assistiria incrédula. Bailaríamos até o amanhecer. Conheceríamos os lugares mais inusitados e distribuiríamos nossa poção de amor ao mundo. Seríamos Romeu e Julieta em uma versão contemporânea, nos amando sem rivalidades ou impedimentos.


Se eu pudesse me teletransportar, te acompanharia a cada instante. O que já faço em pensamento, faria em realidade. Brindaríamos nosso encontro com os nossos olhares que se cruzam a cada toque. Eu teria seus braços ao redor do meu corpo e minhas mãos fixas ao redor do seu. Eu te apertaria contra o meu peito. Teríamos os corações grudados. Eu me deixaria ali no ápice do encontro entre a paz e o amor.


Se fôssemos filólogos, construiríamos um dicionário do amor, só nosso. Nesse dicionário não haveria “ausência”. Adoração, admiração, afeição, alegria, amor, atenção, atração… esse seria nosso vocabulário, a começar pela letra “a”. Escreveríamos o dicionário dos amantes. Publicaríamos apenas palavras doces, românticas e gentis. 


Se eu tivesse superpoderes, te reproduziria em vários para que o mundo se enchesse de amor, de gentileza, de bondade e humanidade. Teríamos um mundo perfeito. O planeta se regeneraria com a sua presença multiplicada. Os pássaros cantariam alegres, as árvores balançariam suas folhas aplaudindo tanto amor, as águas seriam mais límpidas e os dias mais felizes. 


Se eu pudesse, eternizaria sua presença dentro de mim, para que toda vez que me faltasse amor, eu me preenchesse de você. Nunca mais haveria tristeza, medo ou solidão porque você é exatamente alegria, coragem e presença. Você é cuidado, é afeto, atenção. Você é privilegio, é presente, é tesouro, é sorte, trevo de quatro folhas, bilhete premiado, vento a favor, o alinhamento dos astros, presságio de bons tempos, roda da fortuna. Você é toda a certeza que o acaso me trouxe. 




quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Amar


Você me faz querer ficar

Me faz voltar a sonhar

Ser criança

Fazer bolinhas de sabão

Soprar dentes de leão

Suar as mãos


Eu fico querendo você

Te ver 

Te ter 

Te comer

Te beijar

Te abraçar 

Te amar 

Infinito 

Bonito 

Colorido 


Você me faz querer voltar 

Te procurar

Te encontrar

Cantar 

Sonhar 

Cada vez mais 

Te desejar 

Me entregar 

Me deixar 

Levar 


Com você

Me jogo no mar

Quero nadar

Mergulhar

Flutuar

e me afundar nesse amor


Quero surfar em você

Velejar com você

remar para você

pescar você

e navegar nas suas curvas


Você me faz querer te amar

Amar 

Ah mar!

A mais 

E mais 

É mais

A m a r




terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Cadê você?

Sinto muita saudade 
Quando penso em você. 
Meu corpo reage.
Que dia vem me ver? 
Cadê felicidade?

Meu corpo pede o seu
Minha boca quer a sua 
Em mim você se perdeu
Me descobriu, 
Me despiu,
me deixou nua.

Sinto sua falta 
Não consigo dormir 
A lua já vai alta
Cadê você aqui?

Larga tudo e vem 
Esquece a hora
Vem logo, 
Agora 
Me chama de meu bem
Me leve pela mão 
Diz que me quer também
Se enrosca em mim
No chão
Devagarzim
Com seu jeitim
Sem pressa
Sem promessa
Só nós dois
Sem depois. 

Me conta uma história 
Invade minha memória
Me leva daqui
Vamos fugir 
Para o além 
De trem 
Sem volta 
Não me solta 
Tô te esperando
Vem voando
Fico sem rumo
Te procuro
Cadê você?



quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Minha canção


Ele não sabe, mas eu ouço a sua música todos os dias quando acordo. Escuto-a como se rezasse uma oração. Gosto da versão em que para ela, ele empresta a sua voz.  Em cada contorno, seu tom, sua intensidade e seu timbre a deixam ainda mais sua, mas também minha. 

Na verdade, todas as manhãs, quando acordo, assisto ao vídeo em que ele canta essa canção, ao vivo. Nesse vídeo, ele aparece hora em preto e branco, hora em cores. Sua performance é bela e leve como a canção. Ele e ela se misturam em cores, sons e sinestesia, tornando-a tão única.

Algo em mim também se mistura. Desejo e admiração se transformam em uma mesma sensação. Sinto orgulho de tê-lo por perto. Assim como a canção, eu o vejo tão belo. Ele não acredita em sua beleza, mas não sabe que a verdadeira beleza reside mesmo é na alma.

Se pudesse, eu moraria ali, naquela canção, naquele vídeo, nele cantando-a. Talvez eu more ali, todas as manhãs, quando acordo e me deixo ali, absorta, entregue à canção, ao vídeo, a ele.





terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Essa história


ano termina como um livro que se encerra antes que a história tenha um desfecho. Talvez essa história não tenha ainda chegado ao fim. Talvez ela espere pelas próximas páginas em branco a serem escritas. Ou talvez essa seja só mais uma história de insucesso, sem leitores.

Independente do que conte o livro ou antes que termine o ano, gostaria de te agradecer pela presença. Cada sorriso, cada olhar, cada toque. Cada conversa, cada mesa partilhada. Obrigada por cada um dos seus abraços e cada beijo dado ou esperado. 

Independente das histórias que serão contadas no próximo ano, preciso te confessar que minha pintinha preta no canto esquerdo da boca ainda espera por seus lábios.

Independente do que espera você, minha pele ainda aguarda seu toque. Meus cabelos desejam que você os despenteie. Meu corpo inteiro clama pelo seu. Meus olhos sentem falta das suas pupilas dilatadas. E minha alma grita alto sua companhia. 

Independente do rumo que tome nossas vidas, é uma honra ver entrelaçada a minha história com a sua história ou ter você como personagem principal das histórias que conto. Que privilégio te ver nas minhas páginas, páginas essas, que desejo, fortemente, que não tenham fim, nem para você, tampouco para mim. 



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Ter ou não ter você


Eu sigo por aqui, baby. Instável, completamente instável. Sinto como se estivesse em uma roda gigante. Às vezes para cima, outras, para baixo. 


Hesito todos os dias entre desistir de você ou te amar loucamente. Entre me entregar a esse amor ou repeli-lo fortemente. Entre me lançar aos seus braços e abraços ou fugir de você insistentemente.


Ontem à noite, chorei enquanto a água quente do chuveiro caía sobre os meus ombros. Me lembrei da pergunta incisiva feita durante a terapia: por que você insiste em amores complexos? Amores tóxicos, amores à distância, amores indisponíveis? 


Chorei. Chorei porque não tenho a resposta. Chorei porque algo aqui dentro ainda doi. Chorei porque é impossível buscar uma resposta sem desabar.


Enquanto tento encontrar um sinal, uma luz, uma pista, várias imagens flutuam na minha memória pedindo lugar. O que elas têm em comum? Medo. Medo do futuro. Medo do que possa vir. Medo do depois. Medo de sofrer. Medo de não suportar a dor. Medo de doer. Medo de não me refazer. Medo de me perder.


Essas imagens me chegam incompletas. Apenas flashs. Flashs em que sou eu a personagem principal. E em um deles vejo espelhada a cena que vivo agora. Vejo lágrimas escorrendo por um rosto cansado. Vejo olhos fundos. Vejo um nariz vermelho, não como os dos palhaços de circo, mas daqueles dos filmes de drama. Narizes vermelhos de tanto chorar.


Eu sigo, baby. Sozinha. Sem você. Resiliente. Persistente. Reticente. Sigo segura dos contornos magicamente, magistralmente e delicadamente impostos pelo destino. Sigo certa de que não é necessário muito tempo para que exista amor. De que não são necessários grandes feitos para se gostar pura e profundamente de alguém. Quem me ensinou tudo isso? Você!





domingo, 28 de dezembro de 2025

Minha marca em você

Te deixarei cartas de amor aonde for. Você receberá palavras gentis por todos os lugares por onde passar. Verá sorrisos calorosos em todos os rostos para os quais olhar. 

Que cada brisa da manhã te leve um beijo meu. Que cada anoitecer, te acaricie como cada um dos abraços que não demos. Que toda vez que olhe para o céu, me veja no formato das nuvens, no brilho das estrelas, na beleza da lua ou na alegria do arco-íris que aparece faceiro após a tempestade. 


Sabe aqueles dias chuvosos? Eu também estarei ali, na gota que escorre pela janela do seu quarto. Nos dias frios, serei seu cobertor quentinho e dormiremos abraçados. Nos dias quentes, serei a água fria que toca seu corpo e te refresca. Nos dias de cansaço, serei seu travesseiro, repousará sua cabeça em mim. Eu cuidarei do seu sono e de cada um dos seus pensamentos. 


Estarei grudada nas suas digitais, na sua retina, nos seus poros, células, nos seus lábios, na sua pele, na sua memória. Mesmo que a gente nunca mais se veja, se toque, se beije, se sinta, seguiremos conectados porque desde o dia em que nossas almas se tocaram algo em nós se entrelaçou e, por isso, não estamos mais fora, mas dentro um do outro.