terça-feira, 14 de abril de 2026

Nós

Nossas vidas se entrelaçam como duas pontas de uma linha que se encontram no ar. Ele e eu. Juntos: nós. Nós que não se desfazem. Que se apertam. Que se ajutam. Que se fortalecem. Que se firmam e se reafirmam.


Desenho os moldes de um futuro incerto. E me lanço. Em cada traço riscado cuidadosamente, há amor e desejo. Há vontade e prazer. Insinuo cenas diversas, crio roteiros e figurinos em que somos nós os protagonistas. Aponto para o amor que transcende, transgride, transpõe. Romeu e Julieta, Heloísa e Abelardo, Tristão e Isolda. 


Nesse roteiro, os nós apontam para um desfecho que vence: as imposições sociais, o amor tradicional, o único formato “possível”. Aceito o desafio de tecer essa história e, pouco a pouco, dia a dia, a desenho, a escrevo, bordo os detalhes. Às vezes apago, desmancho, retrocedo, reescrevo. Me afasto, retorno, a vejo com distância e gosto do que se apresenta no papel. Sinto orgulho da história que escrevo. Ela me parece linda e inspiradora. Revolucionária também. E tudo isso é tão harmônico e mágico porque há ele também. Há nós.




segunda-feira, 13 de abril de 2026

Expectativas


Quantos dias faltam para o nosso próximo encontro?

Quantas horas esperar para o nosso próximo abraço?

Será que demora muito o nosso primeiro beijo?


Como seria o toque das suas mãos ao encostar meu corpo?

Dos seus beijos quentes, qual seria o gosto?

No ápice do prazer, como seria o gozo?


Como me olharia ao amanhecer?

Que cheiro tem seu corpo colado ao meu?

Qual a textura do nosso suor quando se misturam?


Com que intensidade apertaria a minha cintura?

Que escultura formaria nossos corpos enroscados?

Quanto tempo ficariam nossas línguas entrelaçadas?


Como eu me sentiria com o seu olhar fixo ao meu?

Com suas impressões digitais no meu corpo, quem me tornarei?

Depois desse encontro, quem será capaz de novamente reacender minha alma?