sábado, 27 de dezembro de 2025

De volta para mim


Hoje tirei um tempo para mim. Para voltar para mim. Para me reconhecer em mim. Para ficar comigo. Sem interferências. 


Se deu certo? Não sei, mas me sinto melhor. Essa foi uma das formas que encontrei de recarregar as energias num mundo que só nos cobra e nos nega. Nos cobra produção, excelência, nossa melhor versão. Nos nega descanso, ócio, amor. 


Às vezes escolho dizer « não » a tudo que está fora, como uma forma de afirmar que quem manda aqui sou eu. Às vezes escolho ser só isso. Alguém vivendo uma vida medíocre. E isso me basta e me faz feliz. Às vezes quero ser só uma filha presente, uma irmã parceira ou uma tia maneira. E isso é o suficiente. 


Quero não ter que responder mensagens no celular, quero falar palavrões se sentir vontade, beber, dançar até o chão, conversar com minhas cachorras com voz de criança, dar gargalhadas altas. E depois dormir. 


Quero não ser legal, ser chata às vezes, bem chata. Quero estar indisponível, inacessível, parecer insuportável. E não ter que dar justificativas. Quero não precisar abrir a porta quando alguém tocar a campainha, dormir sem despertador, usar uma camisa larga e velha sem nada por baixo e não ser julgada.


Às vezes meu único desejo é esse: só existir.   O que vão pensar a respeito pouco me importa. Se comentam, se criticam, se me apontam, não é problema meu. Se funciona? Ainda não sei, mas de uma coisa tenho certeza. Ao fim do dia sinto que voltei para mim e quando adormeço é como se toda paz que eu buscasse tivesse o tempo todo aqui dentro me esperando silenciar para ouvi-la. Fecho os olhos e durmo.






sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Talvez não seja amor

 Talvez eu não saiba o que é amor. Talvez eu não saiba como amar de verdade ou como amar você. Talvez meu amor não seja inteiro ou tudo o que sinto não seja amor.

Talvez não seja justo te querer como te quero, sentir o que sinto ou te desejar como desejo. Talvez meu jeito de amar seja egoísta, pequeno ou mesquinho demais para você. 

Talvez eu não mereça ou não esteja preparada para receber seu amor inteiro, livre, indefinido, sem rótulos, sem regras, sem amarras.

Talvez eu mereça um amor como desses que consigo dar.  Com doação, com entrega, com verdade, mas também com exclusividade. Me desculpe, foi assim que aprendi a amar. Foi assim que me ensinaram a amar. 

Talvez eu precise de um tempo. Talvez eu precise me amar mais. Talvez eu precise não amar mais. Talvez eu não queira amor. Talvez eu não mereça amor. Talvez eu só mereça amor. Talvez eu precise agora afastar a dor. Talvez eu siga te amando, seja como for.

Talvez eu precise te deixar partir. Porque eu ainda acho que te amo, eu precise te deixar ir, ser livre e enorme para quem é livre e enorme como você. Talvez amor seja isso: amar e deixar amar, ir e deixar ir, doer e deixar que doa, abraçar e afastar-se de abraçar. Viver e deixar que vivam. Morrer e deixar que morram em nós.








terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Somos amor


Respiro fundo, me benzo e vou. 

Sinto medo, é tudo tão desconhecido.

Ele me pede para confiar, deixar fluir, soltar.

Minhas mãos suam, o coração acelera, as pernas tremem, 

mas escolho seguir.


Seu olhar me faz acreditar que vale a pena tentar. 

Dentro de mim uma confusão boa, 

um caos desordenadamente controlado, 

um desejo de ficar. 


Sua presença me traz calmaria, 

sua fala mansa e macia me traz segurança. 

Ali, sei que posso confiar, 

é lugar de cuidado, proteção. 

Seu colo é lar, é onde desejo morar.


Seu sorriso torto e sua risada sincera 

me fazem esquecer todas as dores e feridas. 

Sua boca me grita. 

Seus olhos me assistem com impávida admiração. 

Suas mãos me tocam indecisas.


Ele e eu somos como a brisa da manhã, 

mas também o sol ardente em dias quentes de verão, chuva, sol, arco-íris. 

Somos cheiro de terra e vegetação verdinha em dias de chuva. 

Somos o abraço demorado em cada encontro, 

o peito que afaga, 

a palavra que acolhe, 

o silêncio da madrugada, 

o despertar pela manhã, 

mas também a bateria da escola de samba, 

o toque pesado do pandeiro, 

a quinta sinfonia de Beethoven, 

o som que sai do berimbau, a melodia, a harmonia, a canção. 

Ele e eu somos vida, cura e amor.





sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Me desculpe

 Me desculpe tanto amor

Não soube fazer diferente

Me desculpe se meu corpo

reage a você novamente


Minhas mãos te buscam

e não te alcançam

meu olhar te procura

e não te encontra


E dói

Dói não ter você

Dói te perder

Dói viver


Me desculpe te querer tanto

Me desculpe o pranto

Aprendi assim

Eu por você, você por mim


Eu insisto, me perdoe te amar

se minhas palavras quebraram seu silêncio

se te fizeram acordar.

Me desculpe se meu amor

percebeu sua dor


Me perdoe não insistir para ficar

pois quando você partiu

mesmo ficando, eu também parti

de você, de nós, de mim.





quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Você vem


Hoje, cansada, dispersa, sem foco, meu corpo pede colo, calmaria, silêncio, descanso. Sinto minha mente vagar entre o passado, o presente e o futuro. Entre o aqui, agora. E o lá, distante. Respiro fundo, fecho os olhos e novamente me vem você. Tento te repelir, busco defeitos, inconstâncias, mentiras, mas não os encontro. Sinto raiva de mim. Te busco no horizonte, na paisagem nublada, na chuva que cai mansinha lá fora e vejo seu sorriso insistente a me procurar. Me percebo confusa, perdida de mim, de nós, mas não de você.


Pela manhã, ouvindo sua música, as lágrimas me vieram rasas, diferentemente da chuva que descia grossa e imponente. Pela janela, o sol crescia obstinado no céu cinzento assim como você na minha vida. Me deixei ali, parada por um instante, admirando a paisagem. Queria poder ficar, mas o café que fervia me fez acordar e vestir logo aquela calça preta de sempre, o tênis de corrida para o fim do dia e uma blusa qualquer. Para o rosto pálido e desanimado, aquele batom rosa, vivo, que me faz parecer alegre nos dias mais tristes.


A chuva seguia persistente, lá fora e aqui dentro. Foi preciso coragem para sair, coragem para me deixar molhar, coragem para seguir. A rotina segue chata e previsível, como todos os outros dias, com exceção de você que passou a fazer parte dela. Internamente, recito o mantra “vai ficar tudo bem”. Respiro fundo mais uma vez. Tento me concentrar. Olho para a tela do computador. Vejo e-mails. Anoto uma suposta lista de afazeres do dia. Não consigo terminar nada que começo. Me disperso mais uma vez. Novamente, respiro fundo. Fecho os olhos. E de novo, me vem você.





 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

He

He is my sun on a cold day, my umbrella in the rain, my protection, my faith.

He is my mirror, he sees me, he reflects me.

He is my literature, my preferred book, my poem.

He knows how to read me, how to touch my soul, how to make me happy,

because he transforms sadness into joy, pain in healing, fair in bravery.


He is persistent, he is sensitive, he is present.

He is my gift on an ordinary day, my breeze on a hot one.

He is my lap on difficult moments, my rest at the end of the afternoon.

He is my warm bath when it’s very cold.

He is my angel, my sacred and my profane.


He saves me, he guides me, he understands me.

He thinks I'm beautiful, amazing, special, unique, sexy.

He says I'm smart, deep, interesting, creative, magnetic. 

He compares me to a novel, to a miracle, to a witch.

He tells me that  I'm not the average type of woman. 

And I believe in him, I trust him. 


For him, I'm full, I'm colorful.

His Brazilian shining star.

For him, I'm exciting, erotic, attractive.

His dreaming, his muse, his Venus.


Because of him and for him, I'm a better person. 

Because of him, I exist.

For him, Im here.

Because of him, I survive.

For him, I give all my love.

For him and because of him, Im love.



terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Esse amor me faz existir

Ontem, fiquei pensando sobre o meu discurso no dia da defesa do doutorado. Passei horas ensaiando o que dizer. A tese nem está pronta ainda, mas o que dizer, ontem, já tinha na ponta da língua.

No ensaio, eu te agradecia, profundamente, por me abrir caminhos, mesmo sem saber que o fazia. Lembra durante a graduação, quando eu tirava 24 nas provas que valiam 25 e a senhora me questionava por que eu havia perdido 1 ponto? Não por maldade, não para me depreciar ou desvalorizar meu esforço, mas para me provar que eu podia mais. E eu podia mesmo. Aos poucos, a senhora foi me fazendo acreditar mais em mim, em quem eu era, na minha força e no meu potencial. E olha onde cheguei!

É… eu cheguei. Aliás, eu não. NÓS! É seu, mãe! Esse doutorado é também seu. Quero que saiba que toda a minha potência é reflexo da sua potência. Talvez eu seja aquilo que a senhora não pode ser. Talvez eu viesse só para te provar o quanto somos capazes, para legitimar sua força, para reafirmar sua coragem e, ao mesmo tempo, ressignificar sua renúncia e redesenhar o futuro. Talvez eu consiga apresentar para as próximas gerações novos caminhos que não os de sempre.

Junto comigo vem todas que vieram antes e as que virão depois. Eu não venho só, não é só por mim, mas por toda uma legião, mesmo que inconscientemente, eu avanço por nós. Todo o meu esforço, toda a minha renúncia, todo o meu investimento, toda a minha energia e entrega têm valido a pena. Tenho aprendido, tenho amadurecido, tenho me humanizado mais. Me sinto alguém melhor, em muitos sentidos. E sei que ainda há muito o que aprender. 

Sigo aberta à vida, aos seus encantos, aos seus ensinamentos, à sua magia. Sigo aberta a viver e peço a Ele proteção, benção, força e coragem. Eu nunca tive dúvida. Tem uma centelha divina aqui dentro que me impulsiona por lugares que eu nem mesmo sequer me dou conta.

Aproveito para me desculpar por todas as vezes em que insisti para que vivessem conforme o meu olhar. Peço desculpas por forçar meu jeito de ser. Esses dias aprendi que se silenciar pode ser modos diferentes de sobreviver. Se impor às vezes também é. Se invisibilizar também. Modos diferentes para pessoas e circunstâncias outras e pode ser sábio, como o camaleão que se esconde do predador. Cada estação pede um modo de se cobrir e descobrir, como se trocássemos a pele. A natureza ensina. 

Aproveito para eternizar, aqui, agora, toda a minha gratidão a vocês. Por ser quem são. Eu não trocaria nada em nenhum instante. Obrigada por me amar. Isso é o bastante. É desse amor que renasço a cada queda, é esse amor que me impulsiona, que me faz existir, resistir, re-existir. Eu sigo com vocês, por vocês, por nós. Tem cada uma/um de vocês em mim. Eu sou muitas e ao mesmo tempo sou todas.