terça-feira, 22 de setembro de 2026

Inteira

 


Quando me sinto só é quando me amo mais. Me amo tim-tim por tim-tim. Amo cada detalhe meu, cada imperfeição, cada cicatriz, cada mancha, cada marca. Acolho minhas quedas, meus erros, meus retrocessos, os pódios que não vieram, cada um dos “nãos” que recebi, inclusive aqueles disfarçados de “sim”. 


Me cuido, me brindo, me blindo. Me arrumo, me abraço, sorrio, canto, danço em frente ao espelho, “me preparo vibrante ante quem sou”. E, aos poucos, vou me lembrando tudo o que me trouxe até aqui, quem sou, quem fui, quem me tornei. Cumpro minha promessa de nunca mais me abandonar. E me recordo: “só tenho a mim, ninguém mais”.


Faço minhas escolhas e banco uma a uma. Vou recordando tudo o que caminhei para chegar até aqui. E sei: posso mais. E me escolho quantas vezes necessário for. Então, fico comigo. Fico quando tudo dá certo, mas também quando tudo parece desabar. Fico quando me sinto feliz, mas fico também quando cai uma tempestade dentro de mim, quando meu mundo inteiro desmorona. Fico quando tenho certezas, mas sobretudo quando só tenho perguntas. 


E há uma liberdade imensa ao perceber que posso perder os outros, mas não a mim. Porque cada vez mais, tenho a mim inteira. Inteira nas minhas escolhas. Inteira nos meus desejos. Inteira na minha entrega. Inteira nas minhas contradições. Inteira em quem sou. Inteira, completamente inteira e transbordante de mim. 




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