Ontem, depois do amor, eu chorei. Chorei como há muito não acontecia. Chorei longamente lágrimas copiosas. Eu chorava como se uma parte de mim se esvaísse. Desejava que meus medos, dores e inseguranças se dissipassem ali, junto com o sal das lágrimas fartas.
Enquanto chorava, ele me abraçava fortemente, me dizia estar tudo bem. Eu sentia meu coração tocar seu peito, acelerado, enquanto minhas lágrimas molhavam abundantemente seus ombros. Seus braços me confortavam, seu olhar me acalmava e seu colo sempre me traz segurança para ser quem sou.
Ali, jogada na cama, apenas a toalha de banho me cobria. Foi assim que me vi inerte, completamente vulnerável, despida, de mim, de quem finjo ser, de quão forte tento transparecer. Ali, com ele, eu era só uma menininha indefesa, em busca de colo, querendo um lugar seguro para chorar, desejando amar e ser amada, sem julgamentos.
Equanto tentava me controlar (afinal de contas, nem eu mesma sabia por que motivos aquelas lágrimas insistentes caíam), ele cuidadosamente passava sua toalha pelo meu rosto na tentativa de enxugar o que parecia não ter fim. Naquele gesto tão simples havia tanto cuidado que me permiti chorar ainda mais. Na sua companhia, eu já não busco grandes explicações ou razões para o que acontece entre a gente. Com ele, basta sentir.
No momento em que me desfazia, ele apenas ficou. E talvez fosse exatamente isso o que eu buscasse: alguém que escolhe ficar, apesar de. Talvez fosse isso que aquelas lágrimas desejassem, de um lugar seguro para existir ou expurgar de mim tudo aquilo que venho tentando organizar, compreender, domar. Nelas, havia dores que eu não verbalizo, medos que não controlo e o receio de perder o que me faz bem, mas sobretudo, a vulnerabilidade de amar alguém profundamente.
E amar é isso… meio paradoxal. É perceber que junto com a felicidade de amar há também o receio da perda. É perceber que o que nos faz tão bem encontra lugares mais frágeis dentro de nós. Agora eu vejo que naquele momento, eu era apenas eu, sem defesas, sem armaduras, sem proteção. Ali, eu pude simplesmente chorar, amar e ser amada.



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