Ela não conhece seu jeito de amar. Ela se enche de perguntas. Seu coração não encontra respostas. Ele vacila, titubeia, avança, retrocede, se perde. Ela se sente confusa, sem rumo, sem norte, sem sul. Ela tenta não se render, não quer se abandonar. Ela se prometeu nunca mais desaparecer de si. Mas por vezes, falha.
Algo dentro de si se degladia. Há uma luta intensa, interna, invisível. Mas ela não quer lutar. Seu coração só quer paz. Sua mente vulcânica nos últimos tempos sente falta de vagar por dias serenos, tranquilos, de silêncio e quietude. Ela não quer brigar, apenas seguir em equilíbrio em busca daquilo que a preenche. Mas ele a preenche. E por isso, todo esse paradoxo, toda essa dissonância, toda essa divergência.
E ela tem aprendido com relativo sucesso a lidar com as dualidades impostas: quente e frio, luz e escuridão, ordem e caos, razão e emoção, força e vulnerabilidade, dor e amor. Quando quente, busca ar fresco. Se frio, se refugia em casa em cobertores e mantas. Quando há luz, óculos escuros. Se escuridão, acende uma vela. Se tudo em ordem, segue seus planos. Se há caos, pausa. Ela tem aprendido a dosagem certa para uma vida equilibrada. Ele tem aprendido a ler seus sinais. Entendeu que ela é lua adversa.
Quando dói muito, ela faz um curativo, seca as lágrimas e vai. Mesmo com dor, ela sorri. Aprendeu que um sorriso cura muita coisa. Ela tem medo de se arrepender. Por isso, mesmo nos dias nublados e chuvosos, ela insiste em sair de casa. Aprendeu a contemplar cada paisagem. Descobriu que a natureza também tem suas dualidades: verão e inverno, dia e noite, sol e lua. Ela acha tudo isso tão belo. Por isso, descobriu que em si, em cada um dos seus paradoxos, há também beleza, sentido e força. Ela é natureza. A natureza é ela. Ambas se misturam. São uma só. E assim tudo se conecta, se encaixa, se enche de sentido. E ela segue, não porque não doa, mas porque aprendeu que existir é florescer mesmo com as raízes expostas.



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