quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Um abraço, por favor

Como me faz falta abraçar. Só isso, abraçar... abraçar e me deixar ali, inteira, entregue, completamente vulnerável em braços que me prendam por alguns segundos. Agora que não os tenho constantes como os tinha antes, me fazem falta. Muita falta. Me fazem falta demais. E percebo a força, o poder e a cura que representam para mim, hoje, dois braços enroscados em torno de mim. 

Carência? Talvez... Pode ser que sim... talvez seja isso mesmo. Não sei... não sei de nada mais. Não sei. Nada. Cada vez mais me vejo pequena, um grãozinho de areia perdido no meio do deserto. Cada vez, compreendo um pouco mais minha fraqueza, minha pequenez, minhas dores, meus medos e desejo enfrentá-los na tentativa de me ver fazendo mais sentido para mim mesma, e depois, talvez, fazer sentido para os outros também, quem sabe até mesmo para o mundo.

Complexo, né?! Eu sei. Confesso que tenho me esforçado, muito. Talvez seja a crise dos 40, assim como vivi a crise dos 30. Minha vida tem seguido como uma montanha-russa. As emoções são confusas, desequilibradas. Talvez sejam os hormônios brigando aqui dentro de mim. Tem dias que tudo vai bem. Em outros quero fugir, do mundo, de mim, de tudo e de todos. Em outros me deixo levar. Há dias que desejo viver intensamente e há outros em que não quero sequer sair de casa. O que todos eles têm em comum? O desejo de um abraço.






 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Sinais e cura

Quem me conhece sabe que não acredito em coincidências, e hoje, tão perdida, tão confusa, entre abas aleatórias da internet, buscando um rumo, sinto uma vontade repentina de colocar a “Ave Maria”. Decido olhar para o relógio do computador. 14h em ponto no Brasil. Aqui, 18h. Coincidência? Claro que não.

Quem me conhece sabe também a profundidade que a Ave Maria tem para mim, especialmente, às 18h. Sinto como se o Universo inteiro quisesse conversar comigo, me sacudir, me trazer um recado. Minha avó, em especial, parece conversar comigo agora, como se a conexão entre a música, o horário e meu momento a trouxessem. Cada vez mais, sinto a força da minha avó em mim.

Sinto ela aqui comigo, me dizendo que me protege, que não estou sozinha, que devo seguir, que ela me assiste e se orgulha de mim. Consigo ver sua carinha risonha como nas nossas fotos de aniversário, durante nossa infância. Me vejo conversando com ela, numa intimidade só nossa. “É, Mãe Dindinha, quem diria... a senhora, algum dia chegou a imaginar tudo isso?”. E ela me responde: “Sim, eu já sabia, aliás, eu sempre soube. E fique firme, minha filha. Ainda tem muita coisa para acontecer. Não tenha medo. Eu estou com você. Aonde quer que você vá, eu estou com você, como sempre estive todo esse tempo”.

E de repente me dou conta do que seria mais uma coincidência: hoje seria seu aniversário se estivesse aqui. E me assusto com a força da nossa conexão. Quanta gratidão a minha por nosso encontro nessa vida, por vir como sua neta, por seguir seu legado. Quanto privilégio o meu por termos passado tanto tempo juntas. Que alegria a minha de manter tão forte e viva sua lembrança e presença dentro de mim.

São inúmeros e incontáveis os momentos que passamos juntas durante a minha infância, até os meus 11 anos, quando então ela, aos poucos, começou a se despedir e nos preparar para sua partida. Os aprendizados vieram por meio do seu carinho, do seu cuidado, do seu amor de avó. Me lembro do quanto ela me cuidava. Consigo me lembrar do pente e da escova com que penteava meus cabelos, das conversas que tínhamos. Enquanto passava a mão pelos meus cabelos em frente ao espelho manchado do guarda-roupa do quarto que ficava em frente a cozinha, ela comentava: “seu cabelo tá grande, hein?! Você prende ele para dormir? Como é que você consegue dormir com esse cabelo grande e solto, minha filha? Você não sente calor não?”.

Outras vezes, enquanto eu almoçava sozinha antes de ir para aula, ela me alertava: “não faz hora senão você vai atrasar”. Quando ainda pequenininha, depois da escola, ela já me esperava com um pratinho esmaltado de azul ou um prato maior, branco com um fundo floral ou com o Mickey e a Minie. E ela me perguntava: “Você quer café ou café com leite?’. E então ela trazia uma canequinha branca esmaltada com café com leite com uma pitadinha de sal e o pratinho cheio: tinha pão com manteiga, tinha biscoito água e sal, tinha biscoito maisena e tinha queijo. Depois, ela mesma vinha recolher o prato, e eu agradecia: “brigada, Mãe Dindinha”.

São infinitas minhas recordações e nossas histórias. Várias... E todas elas me passam agora à mente. Talvez tudo isso seja ela aqui comigo, me fazendo companhia. Especialmente, às 18h, que era a hora em que, em silêncio, fechava a porta do quarto e rezava seu terço com contas coloridas enquanto olhava para Serra da Piedade. Acho que é conexão demais para dizer que é coincidência. É conexão demais, hoje, às 18h, em ponto, repentinamente, resolver colocar a Ave Maria e, logo depois, me dar conta de que é seu aniversário.

Obrigada, Mãe Dindinha, por ser minha avó, por me ensinar tanto sobre a vida e as relações, por estar aqui comigo, e especialmente, hoje, vir me visitar dessa maneira tão forte. Obrigada, Deus, por me dar de presente, nessa vida, uma avó como a minha, completamente especial. E sinto que a presença dela me traz cura, acalma meu coração e me traz alívio e paz. Feliz aniversário, Mãe Dindinha! Enquanto estiver presente na nossa memória e no nosso coração seguirá viva aqui dentro da gente. Gratidão por tudo!!!




segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

1 ano aqui

Hoje faço um ano aqui na França e a saudade vem cada vez mais forte, devastadora, pungente, dilacerando meu coração. Eu finjo que tá tudo bem, mas lá no fundinho, bem no fundinho, eu sei que não. Não está. Tenho descoberto cada vez com mais certeza e segurança de que o meu lugar é lá.

Como me faz falta abraçar minha mãe e passarmos horas conversando, rindo, refletindo sobre a vida, filosofando, lembrando de coisas do passado. Sinto falta de rir das piadas do meu pai e mandá-lo cortar o cabelo, com a resposta dele sempre previsível, dizendo que quem corta o cabelo é o barbeiro. Nas noites de sábado invento sempre o que fazer por aqui, mas não tenho Plínio, Lívia e Alice chegando em casa no final da tarde para tomar um café, falar besteira, ver vídeos bobos no Instagram e depois levá-los até o portão.

E tia Lelena me chamando na janela do meu quarto para me contar que se lembrou de mim ou me dar conselhos ou dizer que fritou “uma mãozinha de batata” para mim. Letícia que aparecia de surpresa no meu quarto me pedindo para ajudá-la no dever, quando na verdade, o que eu sabia que ela queria mesmo era companhia, carinho, conversa e atenção.

Às vezes tenho a sensação de que mais seis meses aqui será uma eternidade. Enquanto tô aqui, distante, o tempo passa. E a vida tem me ensinado a todo custo que nossa maior riqueza é perto dos nossos. Eu sei, precisei aprender vivendo o contrário de tudo isso. Aprendi também, que posso construir valiosas amizades aqui, apesar disso parecer quase impossível, mas no final das contas, quem vai seguir comigo até o fim está lá, me esperando voltar.

Não sei como será passar as festas de final de ano aqui. Vou me esforçar para ficar bem, para não chorar, para não doer. Pode parecer, e de fato ser, tudo lindo aqui, mas prefiro o meu simples e singelo de lá. A cada dia e a cada experiência, por mais linda e significativa que ela possa ser, aprendo que meu maior tesouro está lá, contando dia a dia para que eu volte e são para esses braços que não vejo a hora de voltar.

 


 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

¡Adiós

¡Hola, Miguel! Estuve pensando sobre todo lo que conversamos estos días y llegué a la conclusión que tu pecho no es mi hogar y por eso me voy. Porque lo que busco ahora son conexiones reales, profundas, verdaderas y me dejaste claro que lo que quieres es completamente diferente de lo que busco yo, por eso me voy. Porque no merezco quedarme donde no me cabe más. No por ti, pero por mí. Porque si me quedo, me traiciono, me disminuyo y esto es todo lo que no quiero ahora: quedarme chiquita.

Deseo alguien que se interese de verdad, que desea quedarse y que no huyes de mí, de sí mismo, de la vida. Si no deseas lo mismo que yo, tampoco yo deseo en ese momento de mi vida lo mismo que tú. Esta fase que vives ahora no me pertenece más. Yo ya la viví, pero ahora no más, la dejé detrás y no la quiero de nuevo para poder caber en tus brazos.

Perdóname si cambio de opinión, pero ya no puedo quedarme más. No es justo. Te doy mi mejor, todo lo que tengo, pero en ese momento, me necesito por entero. Te respeto, pero me voy. Ser tu amiga en ese momento solo para masajear tu ego no es justo conmigo. Por eso, me despido aquí. Deseo que estés seguro de tu decisión porque yo no vuelvo atrás.

Yo tenía miedo de no tenerte más conmigo, pero empecé a darme cuenta que en realidad, nunca estás conmigo de verdad.  Tú me tuviste a mí, pero yo nunca te tuve a ti de verdad, como me gustaría tenerte. Yo te escogí, entre tantos, te escogí, muchas veces, varias veces. En mis charlas con Dios, yo le decía: “Dios, se me permite elegir, quiero estar con Miguel”. Pero sabía que necesitaba estar abierta para lo que vendría, y algo aquí, adentro, me decía que no eras mío.

Yo comprendí que no hay espacio en tu vida para mí. Nunca hubo. E nunca me escondiste eso. Por los varios “no” que gané, por las pocas veces que estuviste entero conmigo, solamente nosotros, tú y yo, porque nunca me incluiste en tus planes, ni mismo los de ahora tampoco los futuros. Y por favor, no me pides que me quede. ¡No! No me quedo. Si me duele? Sí, me duele mucho, pero va a pasar. Sé que no era tu intención causarme daño, pero ya está. No hay nada que hacer. Yo sé que te dije que no te preocuparas, que soy adulta, que sé lo que quiero, pero sé también el momento de partir. Y este momento llegó.

Las cosas acá ya no están fáciles. De problemas ya me bastan los que tengo ya y no quiero otros más. Lo que siento ahora es que tu presencia me angustia, me hace mal. Perdóname. Sé que no era tu intención, pero no tenemos controle de nuestros sentimientos y sensaciones.

La gente me dice para que yo deje que te quedes como amigo. Estuve pensando mucho. E decidí que no. No quiero. Para que te quedes, una parte mía necesita ir, y ya te dije que me necesito por entero. Sé que te pierdo, pierdo tu compañía, tus amigos que eran ya también los míos, pero no pierdo lo más importante, a mí misma.

Duele mucho ahora, pero va a pasar. Deseo que seas feliz, que encuentres tu camino y que tu libertad te des todo lo vacío que deseas. Porque en el fin, creo que es eso lo que buscas, vacío, superficialidad, huir de tu mismo, de tus fantasmas, de tu oscuridad, de tus miedos. Siéntate completamente libre de mi parte. No habrá despedidas. Ella ocurrió con nuestro último beso. Gracias por todo. Por las cenas, por tu cariño cuando lo hubo, por tus besos, por tus abrazos, por tus mensajes, por presentarme tus amigos, por todo bien que me hiciste. ¡Cuídate mucho! Con el amor que me resta, me voy, mi angelito. ¡Adiós!



quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Sozinha

Meu aniversário se aproxima. Me sinto confusa aqui. Decidi que quero passar esse dia completamente sozinha. Esse será meu maior presente: ficar sozinha. Porque no final das contas é assim que me sinto: sozinha. E é assim que quero estar. Não quero receber nem abraços, nem sorrisos, nem beijos, porque os que mais almejo estarão longe de mim.

Sinto que preciso desse tempo para realinhar o que vim fazer aqui (na França e nessa vida) e por tantas vezes me esqueci. Preciso desse tempo sozinha para recalcular a rota, para voltar a me entender comigo mesma, para reequilibrar as energias, tomar um fôlego e retomar o caminho, o caminho de volta para mim.

Não quero focar no que tem sido difícil porque viver é isso, enfrentar desafios. Sempre entendi que preciso deles para encontrar mais sentido na vida, para me fortalecer e enfrentar novos. No final, a cada um deles vencido, com ou sem louvor, muitas vezes não como gostaria, mas como dei conta naquele momento, percebo o quanto sou capaz de seguir, e tudo isso me faz querer continuar.

Desde o início eu soube que não seria simples. Muitas vezes bate uma solidão como nunca senti antes. Não é uma solidão de tristeza ou medo de estar só, mas uma solidão que me traz raiva, que me pede um por quê e para o qual muitas vezes não encontro resposta. Por isso essa necessidade de estar sozinha. Para encontrar respostas que estão quietinhas aqui dentro de mim à espera de um momento para virem à tona.

Não me sinto triste, mas cheia de emoção. Eu escolhi estar aqui, eu escolhi viver tudo isso, mesmo deixando de lado tanta coisa, tanto conforto, tanta segurança, mesmo tendo que abrir mão de ver Alice crescer (ainda não consigo acreditar que ela já vai fazer 6 anos e não a vi com 5). E isso quase me mata. Letícia e Marília indo já para o nono ano e eu aqui, tão longe. Fico me perguntando se faria alguma diferença se eu estivesse mais presente. Enquanto isso, a barriga de Michelle cresce, nossa bebezinha vai nascer e não vou estar por perto para dar as boas-vindas para mais uma das nossas. Mais um Natal e Reveillon com sentidos completamente diferentes de todos os outros que vivi até aqui. Nossa história segue, mas eu, à distância.

Por outro lado, as sementes têm dado frutos, a tese não avança como eu gostaria, mas na prática muita coisa tem acontecido. Nossos migrantes têm sido acolhidos com carinho nas escolas, os profissionais que os recebem têm entendido um pouquinho mais sobre essa realidade e toda essa discussão e sensibilidade tem chegado a mais pessoas. Se tem valido a pena? Sim, muito! E acho que é isso. É esse entendimento que busco. Precisa fazer sentido abrir mão da minha vida no Brasil em troca de algo muito maior, fora, mesmo que seja uma escolha. E quando percebo tanta coisa avançando, quando recebo mensagens e áudios de agradecimento pela ajuda, pelas orientações, por mostrar um caminho que deveria ser claro e iluminado, mas que para tantos se mostra obscuro e desconhecido, tudo faz muito mais sentido e vejo que cada vez mais tem valido a pena. Nessas horas, cada minuto de cansaço é divinamente abençoado e recompensado. 
 
Mesmo assim, de tempos em tempos, preciso ficar sozinha. Para recarregar as energias, para retomar minhas forças e meu foco. Fico pensando que talvez o estudo foi só um meio que chegou até mim para poder cumprir meu papel aqui. A tese vai ser a parte escrita, mas não mais importante que cada família e cada criança acolhida como merece, a princípio nas escolas, mas futuramente, na cidade, no estado, no país, no mundo. Como diz uma autora de quem gosto muito, migrantes somos todos nós, migrando do útero da mãe para o exterior, de uma casa para outra. Eu, aqui, tenho migrado o tempo todo, dentro de mim mesma. A cada momento ocupo um lugar diferente. E no dia do meu aniversário, quero ficar sozinha, para migrar de volta para dentro de mim.



domingo, 14 de agosto de 2022

Feliz dia dos pais

 Pai, hoje a quilômetros de distância, quero e preciso te dizer o quanto te admiro e o quanto te amo. Sei que essa palavra é forte e assusta dizê-la, mas não há palavra que a substitua nesse momento. É isso o que eu sinto: amor. Amor por tudo que fazem por mim, por cada oração, por cada torcida, por cada piada, por cada sorriso.

Talvez a gente nunca tenha te dito, mas o seu humor (às vezes mal-humor também) e as suas brincadeiras e piadas tornam nossa vida mais leve, mais feliz e cheia de sentido. Obrigada por isso, por preencher nossas vidas com a sua alegria e bom humor. Talvez o senhor nunca tenha percebido, mas te ter entre a gente é sempre divertido. E isso torna tudo mais colorido e alegre.

Obrigada, também, por ter demonstrado tanta força e resignação no último ano. Depois de tudo o que passamos juntos, passei a te admirar muito mais. Nunca tive oportunidade de te dizer, mas o senhor virou, para mim, um grande exemplo de fortaleza. Tive medo, muito medo, do que poderia vir a acontecer, mas sua coragem e sua fé me ensinaram a confiar mais na vida, em Deus e seus desígnios. Sei que havia um pouquinho de medo aí dentro também, mas por fora o senhor nos demonstrava confiança e calma. Agradeci muito a Deus pela oportunidade de estarmos mais próximos e superarmos juntos todos os desafios que nos foram colocados. Vencemos tudo isso porque estávamos juntos e nos apoiamos com amor e respeito.

Quero que saiba que o senhor é um dos meus maiores tesouros, dos mais valiosos. Sempre que falo do senhor, falo com muito orgulho e admiração, por tudo o que o senhor é e representa para mim, pelos ensinamentos que nos transmitiu, pela sua simplicidade e respeito às pessoas. Nesse dia, receba meu maior carinho e amor, daqui, da França, a quilômetros de distância, mas com o coração quentinho por saber que em breve estaremos juntos novamente. E mais uma vez, obrigada, obrigada por tudo, pelo apoio, pelo amor, pelo carinho, pela dedicação e por ser meu pai. Te honro e te honrarei sempre! Feliz dia dos mais, meu pai!




domingo, 8 de maio de 2022

Feliz dia das mães!

 

Oi, mãe! Lembro ainda da nossa despedida no aeroporto: seu último abraço, seu último olhar, sua voz embargada e eu tentando a todo custo parecer forte e não chorar. Era tensão, ansiedade, medo. Sim, dentro de mim havia muito medo sobre o que estava por vir. Logo depois, dentro do avião, veio o choro forte ao ler, com aquelas letras tão bem desenhadas, sua mensagem, em especial o que dizia sobre saudade e que ela, a voraz saudade, já doía antes mesmo que eu partisse.

Sigo usando a medalha que me deu. Ela virou meu amuleto aqui, minha proteção. Não saio de casa sem colocá-la no pescoço e sinto como se a senhora seguisse comigo cada vez que a uso. A lua também nos conecta fortemente e, novamente, me lembro de mais uma das nossas despedidas. No carro, voltando para casa, depois de esvaziar o apartamento, me disse para lembrar da senhora toda vez que olhasse para ela daqui. E assim tenho feito toda vez que a vejo.

Sinto falta dos seus abraços, dos nossos segundos cafés da manhã, de te ouvir me chamar para o almoço, do nosso cochilo com Bella enfiada entre a gente, das nossas brigas toda vez que alguém te chama no portão. No fundo, essa briga é ciúmes por não te ter só para mim. Sinto falto do seu sorriso aberto quando chego em casa nos sábados de manhã. Ou da sua presença persistente quando chego tarde na sexta à noite. A senhora tenta se despedir e dormir, mas segue comigo até a hora que decido ir para cama. Sinto falta, muita falta, dos seus conselhos olho no olho, sabe?!  Mas me contento com todos eles à distância. Sinto falta da senhora comigo na hora de fazer as contas do mês, as somas, as divisões e sigo errando na matemática, dessa vez em euros, não mais em reais.

Te peço desculpas se minhas escolhas me levaram para longe da senhora nesse momento. No final das contas, acho que tudo isso nos fortalece. Todas as experiências que tenho vivido aqui me fazem te amar sempre mais. Obrigada por tudo! Por me trazer à vida, por me apoiar nas minhas decisões, mesmo que elas nos distancie no espaço físico, por me apontar caminhos, por me dedicar um tempinho todos os dias e ouvir minhas histórias, às vezes chatas, às vezes repetitivas, às vezes carentes.

Me sinto a pessoa mais abençoado do mundo por te ter como mãe. Nada nessa vida poderia ser melhor do que ser sua filha. Saiba que meu pensamento é seu durante todo o dia. Receba as minhas mais puras e felizes vibrações! Feliz Dia das Mães!

(PS: A saudade por aqui dói também.)