domingo, 8 de maio de 2022

Feliz dia das mães!

 

Oi, mãe! Lembro ainda da nossa despedida no aeroporto: seu último abraço, seu último olhar, sua voz embargada e eu tentando a todo custo parecer forte e não chorar. Era tensão, ansiedade, medo. Sim, dentro de mim havia muito medo sobre o que estava por vir. Logo depois, dentro do avião, veio o choro forte ao ler, com aquelas letras tão bem desenhadas, sua mensagem, em especial o que dizia sobre saudade e que ela, a voraz saudade, já doía antes mesmo que eu partisse.

Sigo usando a medalha que me deu. Ela virou meu amuleto aqui, minha proteção. Não saio de casa sem colocá-la no pescoço e sinto como se a senhora seguisse comigo cada vez que a uso. A lua também nos conecta fortemente e, novamente, me lembro de mais uma das nossas despedidas. No carro, voltando para casa, depois de esvaziar o apartamento, me disse para lembrar da senhora toda vez que olhasse para ela daqui. E assim tenho feito toda vez que a vejo.

Sinto falta dos seus abraços, dos nossos segundos cafés da manhã, de te ouvir me chamar para o almoço, do nosso cochilo com Bella enfiada entre a gente, das nossas brigas toda vez que alguém te chama no portão. No fundo, essa briga é ciúmes por não te ter só para mim. Sinto falto do seu sorriso aberto quando chego em casa nos sábados de manhã. Ou da sua presença persistente quando chego tarde na sexta à noite. A senhora tenta se despedir e dormir, mas segue comigo até a hora que decido ir para cama. Sinto falta, muita falta, dos seus conselhos olho no olho, sabe?!  Mas me contento com todos eles à distância. Sinto falta da senhora comigo na hora de fazer as contas do mês, as somas, as divisões e sigo errando na matemática, dessa vez em euros, não mais em reais.

Te peço desculpas se minhas escolhas me levaram para longe da senhora nesse momento. No final das contas, acho que tudo isso nos fortalece. Todas as experiências que tenho vivido aqui me fazem te amar sempre mais. Obrigada por tudo! Por me trazer à vida, por me apoiar nas minhas decisões, mesmo que elas nos distancie no espaço físico, por me apontar caminhos, por me dedicar um tempinho todos os dias e ouvir minhas histórias, às vezes chatas, às vezes repetitivas, às vezes carentes.

Me sinto a pessoa mais abençoado do mundo por te ter como mãe. Nada nessa vida poderia ser melhor do que ser sua filha. Saiba que meu pensamento é seu durante todo o dia. Receba as minhas mais puras e felizes vibrações! Feliz Dia das Mães!

(PS: A saudade por aqui dói também.)






quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

1 mês depois...

Hoje, dia 12 de janeiro de 2022, faz um mês que os vi pela última vez, pessoalmente. Hoje, dia 12 de janeiro faz um mês que parti para essa aventura misturada com loucura, porque hoje vejo quão louca fui por ter aceitado esse desafio de vir passar um ano num país distante, sem sequer saber falar a língua com segurança.  Por outro lado, talvez eu me achasse louca também se não tivesse aceitado viver tudo isso.

Os dias passam, com ou sem dificuldades, com sorrisos e risadas por trás da máscara ou com algumas lágrimas escondidas, porque sim, aqui não tenho privacidade nem mesmo para chorar como costumava fazer. Sempre que sinto vontade de chorar, preciso me conter. Agora mesmo preciso escrever esse texto como se escrevesse minha tese, fria e racional, já que do meu lado, a dois metros de distância tem alguém que fala ao telefone como se não houvesse ninguém mais por perto.

Sinto falta de privacidade, de ficar sozinha, de poder escolher o que fazer, de tomar café coado com filtro de pano, sinto falta de terreiro, de varrer terreiro, de falar com voz de bebê com Bella e Polly e de dançar com elas na cozinha pequena de casa. Sinto falta de dar daqueles abraços apertados em Alice e dizê-la bem alto e com expressividade: “Que saudade, meu amor!”. Sinto falta de tomar o segundo café da manhã com minha mãe, jogando conversa fora, de ouvir meu pai dedilhar suas músicas intermináveis no violão, de dormir assistindo Fantástico ao domingo à noite com minha tia e Bella, de ver a lua porque a lua aqui, por incrível que pareça, não é tão bonita e radiante como no Brasil. Vi-a poucas vezes, acho que duas apenas. Sinto muita falta da vista da janela do meu quarto e de tantas incontáveis coisas...

Por enquanto a sensação que tenho é de que minha visão é turva aqui, nublada, limitada, embaçada. Não sei explicar. Já aí vejo tudo claro, radiante, extenso, como se meu espaço fosse muito maior que aqui, sem limitações, amplo, com um Belo Horizonte. Talvez com o tempo essa paisagem mude, mas até que isso aconteça, sinto falta das minhas janelas daí. A propósito, aqui não tem meu beija-flor, apenas um passarinho negro, pequeno, que emite um barulho estranho, parece um corvo. Meu urubu europeu.

Por outro lado, há compensações. Já vi a neve algumas vezes, já conheci pessoas de diferentes países, vejo todos os dias os alpes franceses, às vezes com neve, às vezes com sol. Essa é a minha Serra da Piedade aqui. Costumo correr ao redor do Estádio dos Alpes que é bem em frente à minha casa. Enquanto corro, olho para os alpes e vejo aquelas imagens de pote de manteiga ou de chocolate Milka. Tem horas que não acredito e agradeço muito a Deus por estar vivendo tudo isso. Além disso, já comi muita comida saborosa, já bebi vinhos requintados a preços acessíveis, já dei muita bobeira e logo depois ri muito de mim.

A vida tem seguido por aqui. Um dia melhor, outro nem tanto. Sinto como se amadurecesse 10 anos em um dia. O que preciso fazer aqui não há quem faça por mim, aliás, sou eu quem ando fazendo por outros também, já que encontramos tanta gente que também precisa de ajuda e, claro, tenho sido infinitamente ajudada por tantos corações solidários como prêmio e retribuição, o que me faz mudar minha forma de ver e atuar no mundo.

Apesar de todos os desafios, sigo com a sensação de benção divina tudo o que vivo hoje. Mas, confesso, é preciso coragem, sacrifícios, aprender a viver um dia de cada vez e entender que todo o bem que fazemos volta como um trem-bala na nossa direção. Daí, trago cada um de vocês dentro do meu coração e da minha memória, nos detalhes, em pequenas situações, em casos, infinitos por sinal. Eu estou feliz por estar aqui, mas, ao mesmo tempo, anseio por voltar. Talvez com o tempo essa intensidade seja menor, mas certamente não passará. Sigo daqui com o coração vibrando de saudade e com muito mais amor no coração para dar a vocês quando voltar. Uma palavra? Gratidão!!!







quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Merci beaucoup!


Difícil, mas não sei nem mesmo por onde começar minhas primeiras linhas dessa vez, se pelo começo ou se pelo final. Talvez pela pandemia que me fez estar na casa dos meus pais durante esse tempo todo, mais presente, mais inteira, mais entregue, mais para família do que para mim mesma. Talvez pelo doutorado que tem me feito atravessar fronteiras tão distantes que nem eu mesma sabia que seria capaz algum dia. Talvez pela viagem que se aproxima numa velocidade sagaz e, por incrível que pareça, evito pensar sobre ela. 

O fato é que dentro de mim há um turbilhão de emoções que custo a conter às vezes, um misto de partida e chegada; de querer ir, mas querer também ficar; de medo e de coragem; de lágrimas e de sorrisos; de futuro e de passado, de estudos e sonhos, mas de família e segurança também.

Às vezes tenho a sensação de que a pandemia, de alguma forma, me preparou para tudo o que eu viveria agora. Passar intensamente todo esse tempo em casa, sem vida social, sem sair, sem contatos me fez me aproximar mais de mim mesma, refletir sobre o sentido da vida, sobre o que busco e o que desejo, sobre quem sou e quem desejo ser e que legado deixarei quando me for daqui. Pude reafirmar a decisão de contribuir, mesmo que bem pouco, com o que de melhor sei fazer: ensinar línguas, em especial, a minha, como acolhimento, para quem se encontra tão só e vulnerável num país estranho. E por incrível que pareça é isso que tem me feito alçar esses voos longos e repentinos. É como se agora eu também ocupasse o lugar de um deles, de migrante, e, talvez por isso, minha pesquisa daqui em diante faça muito mais sentido.

Se por um lado eu via bem claro o que queria para mim, por outro lado tomar essa decisão não foi nada fácil. Parece simples dizer um sim para um sonho, mas ao mesmo tempo esse ‘sim’ exige um ‘não” para tantas outras coisas que gostaria de carregar comigo na bagagem. Aos poucos, estou aprendendo que não deixo nada para trás, já que carrego comigo cada momento juntos, cada café da tarde, os puxões de orelha (dados e recebidos), as caminhadas pela manhã, as paisagens, as reuniões de família. Nada disso fica, pelo contrário, tudo isso vem comigo me encorajando a desbravar novos mundos para que outros também venham junto.

Sinto como se cada desafio vivido nesses dois últimos anos me tornasse mais forte e mais segura para viver tudo isso. E não foi fácil. Tomar a decisão de tentar o doutorado, depois de um mestrado sofrido, contrário ao desejo de quem não queria me ver passar tanto tempo na frente do computador, foi um golpe de rebeldia até certo ponto. No início eu sentia vergonha por dizer que tinha passado no doutorado. Preferi não contar, não publicizar e seguir em silêncio.

A própria vida me testou me fazendo pensar em desistir tantas vezes, quando, ainda no início, o pai da Lívia se foi de uma forma tão dolorosa, meu pai em tratamento oncológico, minha mãe com o dedinho do pé quebrado usando bota ortopédica, tia Lelena fazendo tratamento nos olhos, depois veio a coluna que também exigia atenção... e por várias vezes eu me perguntei: o que fazer? Será que dou conta?

Nunca foi fácil entrar para o quarto, fechar a porta e tentar me concentrar para estudar ou trabalhar fingindo que nada disso estava acontecendo lá fora. Nunca foi fácil fazer cara de paisagem em frente a câmera do computador quando meu desejo era desligar tudo aquilo ali logo e dizer ‘não’ para aquelas reuniões intermináveis e sem sentido. E por isso eu quis desistir tantas vezes, por não conseguir equilibrar e administrar tantas demandas urgentes e importantes. Eu não queria estar lá, mas eu precisava estar... Era assim que eu me sentia.

Mas o universo disse que o caminho era outro. Dia após dia a tempestade foi se acalmando, cada coisa retomando seu lugar ou encontrando um novo lugar, BH me trouxe de volta para uma outra realidade e um novo caminho se desenhou de um jeito harmônico que às vezes custo a acreditar. Sinto como se Deus providenciasse cada detalhe. É tudo tão encaixadinho que me assusta. Cada pensamento, cada desejo vejo sendo realizado um a um de uma forma tão cuidadosa que me sinto muito privilegiada. Quero honrar tudo o que tenho vivido, desde a oportunidade de estudar em outro país um tema que faz muito sentido para mim quanto cada apoio, cada abraço, cada mensagem, cada olhar.

Quero que cada um se sinta parte disso, desde quem viveu comigo aquela brincadeira de criança lá atrás quando a Liliane tímida e inocente sonhava em ser poliglota e conhecer outros países, quem me abraça com os olhos marejados de emoção depois de uma festa surpresa, quem prepara a festa surpresa, quem me acompanha para comprar malas, quem imprime um monte de documentos intermináveis, quem aguenta muitas vezes meu mau humor e angústia, quem reza por mim todos os dias desejando intensamente que tudo se resolva logo. Obrigada, família, por tudo, por todo carinho, por cada palavra de apoio, pela torcida. É nosso! Tudo isso é nosso! Eu vou, mas estejam certos, todos e cada um de vocês vêm comigo. Eu os amo demais! Merci beaucoup por viverem tudo isso junto comigo!!!



domingo, 24 de janeiro de 2021

Ave Maria

Antes, quando criança, a canção “Ave Maria” significava para mim o dia que seria o mais importante da minha vida, meu casamento. Pobre de mim, mal sabia quantos sentidos a Ave Maria e um casamento poderiam trazer a uma jovem mulher nascida e criada no Brasil, em uma cidadezinha pequena no interior de Minas. No final das contas, esse dia nunca chegou a existir, o que jamais se tornou um problema para mim, por mais que eu idealizasse esse dia desde muito nova. Muito pelo contrário, eu sempre soube que mais importante do que a música, deveria ser quem me esperava lá, em frente ao altar.

 Já hoje, tão mudada, tão outra, a “Ave Maria” me traz fortemente a memória da minha avó. Sempre às 18h, a hora do Angelus, a capela perto de nossa casa anunciava que era momento de oração. Era quando, então, eu a via silenciar-se em frente à janela do quarto, com o terço na mão olhando a Serra de Nossa Senhora da Piedade. Nesse momento, não se podia fazer barulho, rir alto ou falar mal dos outros. Mesmo que não rezássemos, era momento de respeito e deveríamos todos nos calarmos. E ela ficava ali, quietinha, a mexer os lábios, com o olhar triste, distante, como se conversasse com Deus.

Hoje, quando a mesma capela, às 18h, toca a Ave Maria, numa tarde de domingo, sinto como se essa canção me levasse de volta para aquele cenário, para minha infância, para minha avó. Basta eu fechar os olhos e sentir toda a pureza daquele momento, toda a riqueza e privilégio do convívio com minha avó, por poder presenciar todos os dias aquela mesma cena, carregada de sentido.

E essa mesma música, quando tocada em casamentos ou situações especiais me traz à tona emoções que definitivamente não sou capaz de controlar e, quando me dou conta, as lágrimas descem copiosamente, como agora, enquanto escrevo esse texto e ouço a Ave Maria que toca na mesma capela perto de casa, enquanto o sol se põe e a lua já aparece no alto do céu, de frente para a janela do meu quarto.

Enquanto choro, agradeço a Deus, em silêncio, a memória feliz e nostálgica que me traz essa canção. E hoje entendo que os momentos e lembranças mais felizes não são de grandes e épicos momentos, como o suposto dia do meu casamento, mas da singeleza e simplicidade do dia a dia, como naquele tempo em que eu via a minha vó pontualmente às 18h em frente à janela do quarto com o rosário nas mãos, silenciosa e contemplativa. A Ave Maria, onde quer que eu esteja, sempre me trará a minha avó, também Maria, em uma das minhas recordações mais lindas e puras, carregada de sinestesia, lágrimas e gratidão.




quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Escolha você

Às vezes dizer “não” para os outros é dizer “sim” para você mesma, para os seus sonhos, para os seus desejos e isso não é um problema. Se querer bem e se cuidar é o melhor que você pode fazer pela humanidade. Cuide-se, pense em você em primeiro lugar, sem culpas sem medos e sem receios. Tire sempre um tempo para você, e só para você. Relaxe, ouça sua música preferida sem ser incomodada, tranque a porta de fora e abra a sua interna e deixa do lado de fora um recadinho para quem chegar “não perturbe”. Você vai começar a perceber a potência esquecida que há dentro de você, mas que ultimamente nem tem se dado conta, às vezes dispersa para o que importa: o que tem dentro.

Você não tem que dar conta de tudo, você não tem que ser heroína o tempo todo e nem tem que corresponder às expectativas dos outros. Somos imperfeitos, falhos e isso é uma dádiva. Aceite-a. Aprenda também a receber e não só a doar e doar infinitamente, como se só houvesse valor em ajudar. É muito valoroso também a humildade de pedir ajuda e aceitá-la. Pense sobre isso. Saber receber também é importante, ainda que seja difícil para alguns.

Aprenda também a impor limites, a você e aos outros. Como você mesma diz: “Cada um faz de nós o que deixamos que façam”. Então por que você deixa que os outros façam com você algo que não gostaria? Por medo? Medo de quê? De não ser aprovada, de não ser boa o suficiente? Não!!! Não são os outros que devem ditar o que você é ou não. A única pessoa autorizada a dizer isso é você. Só você sabe onde dói. Só você pode ser capaz de dizer quão duro e penoso foi chegar até aqui.

Acho que agora é chegada a hora de tirar férias dos outros, mesmo que não seja possível viajar. Pelo menos por um dia, um dia por semana ou uma hora por dia. Não quero aqui falar bonito ou pregar bondade e ilusão. Digo isso porque é assim que tenho feito, mesmo em meio ao caos, à turbulência e à loucura. Sempre que tiro um tempinho para mim, me renovo, alinho meus pensamentos, me refaço, me fortaleço. É como se eu dissesse baixinho para mim mesma quem sou, o que quero e por quais caminhos seguir. Isso é tirar um tempinho para essa voz que vem de dentro, do coração, da alma, da nossa parte divina. Se presenteie com esses momentos todo dia e verá a diferença que isso fará nos seus dias e na sua vida. Diga “nãos” sem culpa e lembre-se sempre que muitas vezes dizer “não” aos outros é um ato de coragem e amor por você. E a gente só consegue se doar inteiramente quando se ama de verdade, quando se cuida e quando aprende de fato a escolher aquilo que nos faz bem. Portanto, lhe faça um favor: escolha você. Por você, por nós, pelo mundo, escolha você!


 Amor Próprio

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Nosso primeiro encontro

Enquanto eu me recostava em seus braços, ele cantava Bon Jovi, com uma voz suave, serena e ao mesmo tempo forte. Se existe céu, era ali onde eu me encontrava. Eu queria parar o tempo e ficar quietinha, ali, só nós dois naquela cena que mais parecia um sonho. Era tudo perfeito demais: ele, todas as coisas que me dizia, todo sentimento que começava a brotar por ele em um, aparentemente, despretensioso primeiro encontro. Eu me perguntava o tempo todo: “é real?” ou “mereço tudo isso?”. E as respostas que me vinham era de um imenso SIM. 

Depois de tanto tempo em caminhos errantes, me senti completamente privilegiada por estar com alguém como ele do meu lado, me olhando um olhar puro, me dizendo palavras doces e me fazendo carinhos tão ingênuos. Ao mesmo tempo, eu pensava em como tinha acertado naquela escolha e decisão de encontrá-lo. Embora com times rivais e posicionamentos políticos divergentes, ele, por si só, já me trazia um mundo novo e não menos atraente. E desde aquele primeiro momento, eu queria mergulhar profundamente no seu mundo e trazê-lo para o meu, dividir com ele tudo o que aprendi nos últimos anos, todas as leituras que fiz, todos os filmes a que assisti, todas as minhas descobertas, todas as vitórias e os meus planos para o futuro. 

Em poucas horas, me descobri uma nova mulher. Ele me trouxe vida, cores, reacendeu minha luz tão fraquinha nos últimos tempos, me fez me redescobrir e despertou em mim algo tão adormecido ultimamente: a vontade de amar, de me arriscar, de ser feliz além da tela do computador, do apartamento novo e da alegria da companhia familiar dos finais de semana. Eu comecei a querer mais, eu comecei a desejar mais tempo com ele, a rever minha vida, meus sonhos, meus planos, minhas metas. 

Ele trouxe consigo todo o conhecimento que me faltava sobre empreendedorismo, sobre investimentos, sobre a vida, sobre viver, sobre ser, sobre mim. E em tão pouco tempo eu já me sentia imensa, nobre, desperta para todas as novidades e surpresas do destino. Eu me sentia muito feliz e já não tinha mais medo de amar. E tudo isso apenas no primeiro encontro. Se em pouco tempo eu já me sentia assim, definitivamente, eu não seria capaz de mensurar em um mês, dois três... 

Penso que decidir encontrá-lo foi um risco, mas o melhor e mais delicioso risco da minha vida. Se eu pudesse, hoje, agora, dar um conselho para a Liliane do passado, meu conselho seria: Carpe Diem! Viva! Viva intensamente. Não tenha medo de se arriscar, de se abrir para o novo, para os sonhos, para a vida, para o amor. Seja todo o amor que deseja para si. Seja fiel aos seus sentimentos, escute às vozes que ressoam baixinho aí dentro de você, dê crédito aos caminhos apontados pelo coração. Porque hoje eu posso dizer que aprendi com ele que viver é correr risco e esse risco pode nos levar a lugares e abraços nunca antes imaginados.







sexta-feira, 19 de julho de 2019

Minha Tia Lelena

Hoje acordei com muuuita vontade de te escrever. Foi um impulso tão grande que me obrigou a ir para o computador antes de sair de casa. Senti muita vontade de, mais uma vez, te dizer o quanto a senhora é importante para mim. Se hoje me vejo tão mulher, tão forte e tão guerreira eu devo grande parte de tudo isso a senhora. Tem muito da senhora aqui em mim, em tudo. Sua força, sua garra, seus sonhos, seu desejo intenso de que fôssemos felizes nos fizeram ser tudo o que somos hoje e tenho certeza de que somos o melhor que poderíamos ser. Esteja certa disso.
A lembrança de todo o amor e todo cuidado são intensos. Me lembro com detalhes dos momentos em que a senhora nos dava banho, me enchia de creme Nívea no inverno para pele não ficar foveira, penteava nossos cabelos enquanto brincava “pichaim”, catava piolho, lavava nossos cabelos e nos colocava no sol para secar mais rápido. Fazia omelete, nos arrumava para as festas, vibrava (e ainda vibra) com cada uma de nossas vitórias, por menor que fosse.
Depois, quando maiores, a senhora ainda nos defendia, nos dava conselhos, me incentivava sempre a ir, a seguir, a voar, a nunca desistir e nos dizia sempre que a senhora se renunciou aos seus sonhos para viver os nossos. Isso é ser nobre.
Na minha vida, a senhora está presente em todos os momentos. Em todos eles, sem exceção. Nos dias mais fáceis e felizes e nos mais difíceis. Quando descobri que poderia estar com uma doença grave, a senhora me abraçou forte e me tranquilizou, disse que estaria comigo e que passaríamos juntas por mais uma; quando fui destaque acadêmico, a senhora se lembrou de quando eu desfilava pela casa enquanto dávamos banho em Mãedindinha, ensaiando para subir ao palco quando anunciassem meu nome. Nos abraçamos e choramos copiosamente quando te contei que eu tinha conseguido comprar meu apartamento. A senhora me perguntava sem conseguir acreditar: “Comprou, Li?!”. Naquele dia eu vi seus olhos brilharem de felicidade, senti profundamente seu amor e o quanto tudo aquilo representava para senhora. A senhora me contou do quanto rezou para que esse dia chegasse, o quanto se sentia feliz por isso e orgulhosa por mim.
Ah, Tia Lelena... deveríamos todos te entregar em mãos o mundo, e ainda assim seria pouco. Porque sei que a senhora foi fundamental para tudo fluir e para estarmos onde estamos hoje, todos nós. No mundo animal, se não houver alguém que cuide do filhote, ele não sobrevive. E a senhora nos cuidou com todo o amor do mundo quando nossos pais precisavam trabalhar para tentar nos dar uma vida digna e mais confortável. A senhora esteve sempre nos bastidores, mas não menos importantes que os outros personagens.
Eu sei que nada do que eu disser ou tentar me expressar vai ser suficiente para demonstrar o quanto sou grata por tudo o que fez e faz por nós, todos os dias. Às vezes fico pensando que sua missão nessa vida foi essa: nos lançar como flechas para irmos mais além do que foram nossos pais, como uma fada madrinha dos contos de fadas, que prepara todo o terreno para a Cinderela encontrar o príncipe.
Obrigada por tudo! A senhora está em mim. Sinta-se parte de tudo isso, de mim, da minha vida, da minha vitória e das minhas lutas. Sou muito feliz e me sinto privilegiada por te ter conosco. Se sinta coberta de amor porque embora cada um de nós demonstre do seu jeito particular, nós te amamos demais, minha eterna Tia Lelena.