quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

As demandas do coração


O que incomoda a sua alma hoje? O que te motiva? O que te faz querer continuar? Seu trabalho, a criação dos filhos, um grande amor? Não importa o motivo. Estar aqui, hoje, sob diferentes circunstâncias nos traz medo, frio na barriga, angústias, mas algo muito maior, forte, muito forte, que, apesar de todos os desafios nos faz querer prosseguir.

Parece estranho, mas sinto, cada vez mais, como as demandas do coração têm sido frequentes em homens e mulheres. Um grande amor que se foi, o amor que nunca vem ou que reaparece repentinamente ou o medo de amar ou de nunca amar. O fato é que se pararmos por alguns instantes e observarmos ao redor é cada vez mais difícil encontrarmos homens e mulheres felizes nos assuntos do coração.

Se há mais habitantes no mundo hoje do que havia há anos, se podemos nos conectarmos com o mundo inteiro com um simples aparelho em tempo real, por que nos sentimos, então, tão carentes, tão sós? Por que se torna cada vez mais difícil encontrar alguém com o nosso perfil? Somo mais egoístas, mais exigentes ou é o mundo e os outros que estão mudados?

O que tenho aprendido a cada dia é que quanto mais nos amamos, amamos também os outros, independente de sexo, cor ou religião. Amamos e nos sentimos amados. E por que nos amamos, já não precisamos mais dos outros para nos sentirmos amados. Nos bastamos. Nos amarmos de verdade é o bastante. E porque nos amamos, vibramos na frequência do amor, o que nos faz conectarmos, também, com quem esteja na mesma frequência em que estamos.

E esse é sempre o caminho. Estamos aqui por amor. Estamos aqui para amar. E para sermos amados também. Merecemos amor! Nunca menos que isso. Amor, muito amor.


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Solta que vem


Se a vida apertar às vezes e você não souber como agir, se te pregarem peças, trocarem todas as perguntas, seja leve. Não feche o semblante nem as portas. Dói, eu sei que dói. Dói muito às vezes, mas se nos endurecermos, dói ainda mais. É por essas e outras que nos dizem que coração alegre é um bom remédio. E é sim! Se não acredita, faça o teste.

Se ele não sabe o que quer, se vai e volta, se está tudo obscuro, se não tem respostas, solta… deixe ir, deixe fluir… Nessas horas, invista em você. Faça aquilo que te faz bem. Durma mais cedo, assista a um bom filme, leia bons livros, viaje, caminhe, tome um bom chá com bolo de chocolate. Entenda que tudo é como tem que ser e que Deus não escreve certo por linhas tortas, somos nós os maus leitores.

Viva um dia de cada vez, aprenda a se amar. Invista em boas leituras, em boas companhias, em bons filmes. Se cuide, vista seu vestido mais alegre, passe seu melhor perfume e, por mais que te custe, bota um sorriso bonito nesse rosto. Como diz nosso amada Guimarães Rosa, é aos poucos que a vida vai dando certo.

Deixe que cada um escolha seu caminho, foi para isso que recebemos o livre arbítrio. Se mostre receptiva, mas não se apegue. E, por mais desafiador que possa ser, evite criar expectativas. Nada de olhar o celular a espera de mensagens ou visitinhas constantes ao instagram para ver o que anda fazendo. 
 
Aprenda a se entregar aos mistérios da vida e à beleza do destino. Cada dia deve ser uma nova aventura, um novo episódio. Roteiros já conhecidos não fazem sucesso. Um dia de cada vez, sem cobranças, sem culpas, sem mágoas ou rancor. Viva leve, seja leve e… quando você se der conta, já nem se lembrará mais dos motivos pelos quais começou a se cuidar e se amar tanto.

A única coisa que fará sentido para você será o quanto você aprendeu a se conhecer, a se respeitar, a se cuidar. Tá bom, eu sei, você vai ficar muito mais exigente, mas isso é ótimo. Não devemos aceitar migalhas quando sabemos que merecemos todo o amor do mundo. Levamos tempo para perceber e descobrir tudo isso, por isso, não há tempo a se perder.

E aí, quando você encontrá-lo de novo, ficará profundamente agradecida por ele ter sido o responsável pelo pontapé inicial por toda essa transformação aí dentro que te fez se sentir a mulher mais feliz e amada do mundo. E porque você já se ama tanto, o que ele te oferecia já não será mais suficiente para preencher um coração que transborda.


sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O baile da vida


Tenho compreendido que relacionar-se é uma das mais difíceis artes do viver. Compreender o outro, seus desejos, seus anseios, seus medos e lidar com tudo isso às vezes é da ordem das coisas quase impossíveis, já que se entender já é muito complexo, quem dirá entender o outro.

Nessa dança da vida, o baile não tem hora para acabar. Dança-se com um, dança-se com outro. Pisa-se no pé, dança-se de novo com o primeiro ou nunca se dança com aquele ali que não solta a loirinha de cabelos longos e brilhantes. E o baile segue…

E a cada baile, a gente aprende um passo novo, ou pelo menos assim deveria ser. E com um novo par a gente entende que cada um tem seu jeito particular de dançar, de rodar, de convidar para a contradança, de se despedir, de voltar ou nunca mais voltar.

A gente aprende também que quanto mais confortável a roupa, melhor se dança; quanto mais prática se tem, mais segura se sente; quanto mais se erra, menos se julga. Aprende também que com o mesmo par ou se cansa ou se aperfeiçoa. Aprende que sempre é chegada a hora de partir, ou do outro partir. Aprende que à meia-noite já é hora de ir embora ou é quando melhor o baile se torna.

E tem a hora em que o corpo, a mente e a alma pedem para não mais voltar. Ou porque se machucou o pé ou o coração; ou porque o tempo passou e não mais as mesmas pessoas frequentam o mesmo lugar ou porque não reconhecemos nem as músicas, nem as pessoas, nem as roupas, nem as gerações, e, muitas vezes, nem a nós mesmos.

E é preciso deixar o baile com a cabeça erguida. Porque queremos nas noites de sextas e sábados nos jogarmos no sofá, na frente da televisão. Porque queremos dormir mais cedo. Porque a chuva não nos deixa sair, diferentemente de como era antes. Ou porque nosso par não se encontra mais nos bailes da vida, e sim dentro da nossa vida. E o coração pede para ficar. Os pés pedem para ficar. E, principalmente, porque aquele que nos convidou para contradança e melhor nos balançou no ar também nos pede para ficar.



terça-feira, 20 de novembro de 2018

Na bagunça do armário


Hoje, em meio a livros, papéis e preocupações, uma limpeza se fez necessária, como se o externo fosse capaz de organizar o interior. Foi a forma que encontrei, naquele momento, de me resgatar, perdida em pensamentos, ideias, planos e projeções.

E num movimento de rasga papel, separa livros e organiza pastas, me deparei com um depósito de boas lembranças, o que naquele dia me fez ganhar a manhã.

Separadas e bem guardadas, encontrei uma coleção enorme de cartinhas que recebi dos meus alunos no dia dos professores no meu segundo ano de profissão. Impossível não sorrir e relembrar de um por um, dos rostinhos, das letras, do que seguiram seus caminhos, dos que permanecem…

Nas cartas, bondosos que são, diziam que gostavam de aprender Português porque era comigo, que eu era a melhor professora do mundo, que me amavam, que eu sabia ensinar de verdade, que eu despertava o gosto pelo estudo, me agradeciam por fazer parte de suas vidas.

Pudera eu reescrever um trecho de cada cartinha e me entenderiam.
O que a princípio seria a organização de um armário se tornou a reativação da lembrança de uma escolha feliz. A escolha que fiz no dia em que decidi o curso que delinearia a minha vida, os meus projetos e a minha alegria de viver.

Sou mais feliz por tê-los no meu dia a dia, confesso. Nos identificamos, nos vemos um no outro, nos queremos bem. E são nesses momentinhos de distração em que a felicidade vem nos visitar, quando nos sentimos perdidos e nos reencontramos na bagunça do armário em em meio a cartinhas e declarações de amor, como se algo sussurrasse baixinho no ouvido: “vale a pena continuar”.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Não mais


Ninguém disse que seria fácil viver um amor à distância, mas mesmo assim ela quis. Ela quis enfrentar um a um dos desafios que aquele amor lhe lançaria. E ela não teve medo. Ela arriscou. Tentou. Amou. Se jogou. E dia após dia, ela se levantava da cama com um sorriso de quem sabia exatamente o que queria. Sentia estar no caminho certo. A vida lhe mostrava isso. Ela se sentia mais leve, mais amada, e por que não, mais livre.

Contudo, do outro lado, havia, medo, receio, passado, desilusão. E por mais que tentasse convencê-lo de que valeria a pena, de que era preciso arriscar, de que ela a faria feliz, o medo de amar o tomava por completo e o fazia recuar. Ele sentia medo de amar, medo do futuro, medo da saudade doer, medo de não saber lidar com tanto amor.

Ela era inteiramente amor. Ele era inteiramente medo. Ela ela profundidade. Ele caminhava no raso e nunca se jogava ao fundo. Ela era extremos, intensidade. Ele era meio termo, sensatez. Ela era quente, fervendo, pelando. Ele era o morno, a temperatura ambiente.

E por ela querer demais e ele sentir medo demais, ela resolveu não mais querer, pelo menos não mais ele. Ela resolveu se entregar para quem tivesse coragem de acolher todo o seu amor, de esperar com vontade o próximo encontro. Não precisava ser perfeito, só precisava ser humano, real e querer amar, assim como ela.

E porque tinha medo de amar, ele não mais esteve em seus planos. Ele não mais fez parte de sua psique. Ele não mais recebeu seu amor. Porque tinha medo, ele não foi feliz ao lado de quem mais amor lhe pôde oferecer durante uma vida inteira.


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Parabéns para você...


Dia de aniversário, para mim, é sempre muito especial. É quando minha ficha cai do quão importante é estar aqui nesse plano aprendendo, crescendo e ajudando a construir um mundo melhor e tentando, de alguma forma, fazer alguma diferença na vida de alguém. Afinal de contas, viver por viver não faz sentido. Se não pudermos deixar nossa marca, contar uma história, emocionar, arrancar sorrisos e confortar, de nada adiantou vivermos 100 anos.

O “Happy Birthday” no dia de aniversário me emociona profundamente porque me vem à tona todas as vezes em que fui acordada, no dia 04 de outubro, por você, mãe, como uma forma única e singular de demonstração de carinho e amor. Me recordo, ainda pequenininha, de você me acordar antes de ir para o trabalho, cantando “parabéns para você…”, depois disso, me dava um abraço gostoso e aconchegante, intercedia por mim a São Francisco e me dizia para fazer uma horinha na cama. E eu fazia mesmo uma horinha, tão leve e feliz…

Depois, já adulta, morando em BH, me lembro de ser acordada por suas ligações e, mais uma vez, eu ouvia do outro lado da linha: “parabéns para você...”, dessa vez, com a Letícia também ao telefone, e não tinha como não derramar um rio de lágrimas.

E com o tempo o feliz aniversário foi ganhando variações. No apartamento, a Nanda me deixava cartinhas debaixo da porta, me trazia uma vela acesa, bem cedinho, para eu soprar e, mais uma vez eu ouvia: “parabéns para você...” e já começava o dia de aniversário chorando, sabendo que seria assim até o dia terminar. E hoje, não pôde ser pessoalmente, mas houve o “parabéns para você” da Nanda por áudio e, ainda no ponto de ônibus, foi impossível não chorar.


E vou assim, o dia todo, feliz, sempre emocionada e transbordante de gratidão por estar aqui, onde estou, com as dores e os prazeres de ser quem sou. Pela oportunidade de ter a família que tenho, tão carinhosa, tão próxima, unida por laços tão fortes, que seguramente vêm de outras vidas. De ter o trabalho que tenho, alinhado com o meu propósito de vida, olhando pelas minorias. Por todos e cada amigo que quando chega agrega experiências fortes e marcantes seja por seu olhar, seja por suas palavras, seja pura e simplesmente por sua presença.

Me sinto privilegiada por tantas bençãos, por tanto presente e uma delas é fazer aniversário exatamente hoje, no dia de São Francisco de Assis. Eu preciso e quero dividir com cada um de vocês, família, a minha vida, a minha alegria, a minha gratidão, o meu estar no mundo. E durante todo o dia, repito a prece que também me emociona, em especial, hoje, e é o que tenho pedido incessantemente a Deus: “Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz”.


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Ela nunca desistiu do amor


Ela sempre acreditou no amor. Apesar dos tombos e tropeços, seu coração nunca desistiu de amar. Ela sabia, tinha certeza de que valeria a pena esperar, de que, embora completa, a caminhada ao lado dele seria mais feliz, faria mais sentido, traria mais cor para sua vida. E por que não dividir com alguém tudo que havia aprendido sobre a vida nos últimos tempos? E por que não aprender com alguém tudo o que ainda não sabia?

E todos as noites, antes de dormir, ela o chamava: “Vem, eu tô te esperando! Cadê você?”. E antes de fechar os olhos e cair no sono, ela pedia por ele, para que tivesse paciência por esperar por ela também. E dormia tranquila.

E noite após noite, ela dizia baixinho: “Não te conheço ainda, mas nossas almas se reconhecerão. E nem sei como, mas já te amo tanto...”. Ela tinha certeza de que na hora certa, ele chegaria, da forma como fosse, mas a encontraria e a amaria tão forte como ela já o amava.

E dia após dia, ela o chamava, antes de dormir, ao olhar para o céu, quando ouvia o canto dos pássaros, ao ver o pôr-do-sol. Seu coração vibrava de felicidade porque cada vez ela sentia mais forte o amor pulsar dentro de seu coração.

E às vezes ela chorava. Chorava de amor. Porque sabia que seria lindo, que seria perfeito, que ele estava cada vez mais próximo. Ela já se sentia preparada para recebê-lo. E sabia também que ele esperava por ela. Ela tinha certeza de que seria especial. E já não sentia medo como antes.

Até que ele chegou da maneira mais improvável possível. Vinha de longe, de outro país. Falava outros idiomas, mas não o seu. E isso de nada importava porque mesmo assim, conseguiam se entender. E seu coração transbordou de felicidade.

A sensação de que já se conheciam, todas as prováveis coincidências, várias coisas em comum e a rápida intimidade e desejo tão intensos a fazia ter certeza de que vieram nessa vida para se encontrarem. Ela nunca teve dúvidas de que era ele. E se entregou, sem medos, sem receios, sem privações. Se entregou por inteiro. E ela completamente se transformou em amor. Amor próprio, amor incondicional, amor eterno, amor a dois, amor a primeira vista, amor para vida toda… amor, simplesmente, amor!