domingo, 7 de outubro de 2012

Dias de aniversário



A ligação dela no meu dia de aniversário cantando o “parabéns para você” me deixou aos pedaços. Caí em prantos e não consigo me refazer fácil. Pelo jeito, dessa vez vou ter que chegar com os olhos inchados e vermelhos no trabalho. Me lembrei de imediato de quando ela me acordava em todo 04 de outubro cantando a música típica de dia de aniversário, me abraçando o abraço mais gostoso e carinhoso do mundo e me desejando um monte de coisas lindas, além de me dizer pedir a São Francisco por mim. Agora, muitos anos depois, a mesma cena continua a se repetir, só que eu aqui e ela lá, via telefone. E essa memória me destroçou. Prevejo que vou continuar emotiva até terminar o dia.

E tudo isso depois de ler uma cartinha colocada cuidadosamente debaixo da porta do meu quarto de outro alguém especial e memorável. Uma cartinha linda, colorida, como as que costumávamos fazer quando mais novas em dias de aniversário de primas-irmãs. Aí estava a raiz de toda lágrima que seria derramada durante aquele dia, inevitavelmente especial. Especial a cada ano, por cada história a ser contada, a cada nova amizade agregada, por todo balanço feito. Chorei, de emoção, de felicidade, por cada dor, por todo amor, pela sensibilidade característica devido a data, por toda história construída até o momento. As lágrimas ainda descem e acho que por muito tempo, elas ainda serão minha companhia em dias de aniversário.




domingo, 30 de setembro de 2012

Guerreira, eu?




Guerreira, eu? Não... Só por que me levanto às cinco da manhã todos os dias, tenho três empregos e pego seis ônibus por dia? Imagina... isso não é nada. Guerreira por que apesar de tudo isso ganho quase nada e nem por isso desisto da luta? Guerreira por que apesar dos percalços acredito no amanhã e não entrego os pontos fácil? Ah... que nada! Guerreira só por que me arrisquei a sair de casa, renunciando à convivência familiar e à comodidade em busca dos meus ideais? Guerreira por que apesar dos nãos, dos maus tratos e das grosserias consigo me manter ilesa e continuar o caminho com um sorriso nos lábios e muito amor no coração? Guerreira por que apesar dos convites e propostas por um atalho mais rápido não desisto do que sou? Ah... mas isso não é nada.

Guerreiro mesmo sãos os outros que não têm por onde começar. São aqueles que matam um leão por dia e ao chegar em casa não têm o que comer. Já eu mato apenas alguns insetos por dia e, por via das dúvidas, ainda tenho meu cartão de crédito e o cheque especial. Não sou guerreira. Guerreiro mesmo não possui oportunidades nem quem deposite um mínimo de confiança neles. Guerreiro mesmo é aquele que rema contra a maré, luta contra os preconceitos, contra as diferenças e contra as desleais condições de competição e, ainda assim, não desiste de ser feliz. Eu mesma já possuo a faca e o queijo nas mãos, tenho uma família linda, amigos verdadeiros e sonhos que nunca acabam. E quem tem isso tem tudo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Uma dorzinha intrusa


A saudade tem sido minha amiga mais próxima nos últimos dias. No almoço, depois do trabalho, na volta para casa, na companhia para o treino, nos momentos mais íntimos de fofoca, na divisão do espelho do banheiro...  Mas hoje, em especial, ela tem estado tão mais próxima que chega a presenciar uma enxurrada descer pelo meu rosto. 

Meu filme tem passado as cenas do dia a dia em preto e branco. Há pessoas querendo preencher um lugar já preenchido, e não há mais vagas para novatos. 

Parece que hoje – e só hoje – a ficha caiu. Talvez essa tenha sido uma estratégia falida do meu cérebro: fingir que a dor não existe para não senti-la.  Em vão. Hoje essa dorzinha intrusa estraçalhou meu peito. E dói...



sábado, 15 de setembro de 2012

Eu entendo



Hoje, mãe, apesar de quase 60 km de distância, quero que saiba que eu entendo que família é família e que devemos perdoá-los os erros e as faltas. Entendo que não me protegem, apesar de ser a caçula. Perdoo o pouco caso e as palavras ásperas quando preciso de consolo e relevo todas as ausências. É o que temos. A culpa não é sua, a culpa não é minha, a culpa não é nossa. Temos uma a outra e isso nos é suficiente. A vida me fez forte, o destino me vem ensinando constantemente e tenho feito as lições diariamente.

Me desculpe por te deixar aos domingos. Aqui também tem sido difícil, mas te prometo, tudo vai melhorar. Te prometo. E não se preocupe comigo, eu estou bem. Por incrível que pareça, meus amigos me cuidam com carinho e eles me têm como a uma irmã. Eu soube escolhê-los cuidadosamente. Se cuide direitinho aí. Quero te ver feliz quando voltar.

Sei como dói estarmos longe e sinto como foi difícil me ver sumir na esquina naquelas circunstâncias sem nada poder fazer. Eu chorei, mas já passou. Saiba que você é meu melhor presente e que só por isso tudo faz sentido para mim. É por você que enfrento estrada toda semana, é para te ver nos finais de semana que enfrento a vida de segunda a sexta e é porque te amo que não desisto. Quero que acredite que tudo vai ser recompensado, que dias melhores virão e que a vida se mantém estável graças a você. Apesar da distância, te tenho comigo a todo o tempo, nos conselhos, nos ditados sempre oportunamente ditos, no otimismo, no desejo de melhora. Só queria que soubesse, tudo permanece de pé por você.



domingo, 2 de setembro de 2012

I love you and i’m not drunk



Elas fazem meu domingo mais feliz e me dão todo o gás necessário para enfrentar a semana pesada de quase sempre. Estar com elas é garantia de muita alegria, de felicidade que perdura, de intermináveis risos e de muitos casos para se contar para os netos mais tarde.

Em qualquer situação, a parceria se faz presente, seja na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, lá estamos nós, demonstrando, de alguma forma, porque essa vida vale a pena de verdade.

E nossa história daria um livro se somados todos os momentos marcantes. Guardamos segredos mortais, fortalecemos o significado do substantivo amigo, nada abstrato no nosso vocabulário, e reavivamos um sentido verdadeiro para estarmos aqui, juntas, desde sempre e para sempre.

Estamos em família, somos família e isso já explica que nossa amizade não é desse mundo, nem de agora, nem feita na mesa de um bar, vazia, fria, fugaz, momentânea. Pelo contrário, crescemos juntas, ou nos agregamos de maneira tal que o vínculo se fez muito mais forte do que as circunstâncias poderiam prever.

E não brincamos em serviço. Se a palavra de ordem é diversão, tiramos de letra. Das vodkas, runs e big apples apenas extraimos a energia necessária para fazer render a noite, mas elas não são fundamentais. Fundamental mesmo é a água que os nossos corpos nos exige depois da missão cumprida.

Na verdade, não apenas o meu final de semana fica feliz na companhia delas, mas minha própria existência e, assim, confirmo minha certeza absoluta da forma mais sã: “I love you, my friends", and this time, “im not drunk”!






domingo, 19 de agosto de 2012

Toca Rauuul!!!


Dei adeus ao cinto, ao chapéu e às botas de cowboy para dar lugar à calça e jaqueta de couro pretas no melhor estilo rock n’ roll. Nada de melodias chorosas ou tristes ou de choro de viola. Agora o que faz minha cabeça, como antes, são as letras bem trabalhadas misturadas ao solo de guitarra mais original. No contexto das canções, nada de amor perdido, de arrependimento ou dor de amor. Tudo isso deu lugar às letras que contemplam a vida, verdadeiramente, ao amor em prática, ao porvir e mais uma dose de whisky, thank you.


Descobri que, de fato, sou uma Maria Palheta. Viajo nas canções mais minhas, admiro a harmonia da banda, curto o show do início ao fim e me imagino debaixo dos cabelos compridos e lisos do vocalista com direito a decifrar tatuagens e sentir o bocejo da minha canção favorita ao pé do ouvido.

Troquei o salto, o cabelo liso e a maquiagem mais perfeita pelo all star, pelo cabelo mais natural e pela cara limpa. Costumo frequentar lugares que me permitem ser mais eu, posso revelar o que penso e dançar da forma desengonçada que sei, sem me preocupar com olhares acusadores. Nada de falsas perfeições, decotes, saias curtas, saltos que mais parecem uma prótese e maquiagens que se assemelham a uma camada de massa corrida.

Sou livre, me sinto livre, me libertei! Viajo a um mundo paralelo sem sair do lugar e viajo, também, como sempre, nas canções com as quais me identifico desde a adolescência, nas histórias que elas me trazem, na guitarra dedilhada cuidadosamente, na performance da banda e em tudo o que isso me proporciona. 

E, àqueles que me entendem sem muito precisar me explicar, um salve a todos vocês e... toca Rauuuuul!!!

domingo, 5 de agosto de 2012

Com ela, aprendi


Com ela, aprendi a ser mais eu, aprendi a acreditar mais em mim. Que a vida me leve sem cobrar nenhuma resposta do destino. Aprendi a esperar menos dos outros, a tolerar defeitos, a ser mais amiga e a não levar os insultos e as provocações a sério. Aprendi a ser sozinha para alguns ou cheia de mim para os outros. Não deixo mais que os problemas me abalem, que as ausências me entristeçam nem que os outros me levem a alegria.

Com ela, aprendi a ser feliz, a não ter limites nem proibições. Perdi o medo. O medo da noite, do futuro, da solidão e daquilo que algumas vezes nem eu mesma sei o que é.

Com ela, aprendi a ser mais, aprendi a ser mais eu e a valorizar em mim o que possuo de melhor: a capacidade de escolher a dedo meus amigos.